No próximo ano, o Museu Berardo vai receber várias exposições, nomeadamente do pintor chileno Roberto Mata, do brasileiro Hélio Oiticica, de artistas africanos contemporâneos e uma homenagem artística ao cante alentejano, candidato a património mundial da UNESCO.

O director artístico do Museu de Arte Moderna e Contemporânea Colecção Berardo, Pedro Lapa, organizou uma programação para 2012 com exposições que dão enfase a movimentos históricos e a prospectivas mais contemporâneas. Segundo o responsável, estão agendadas duas exposições de dois grandes nomes da arte moderna internacional, sendo uma do pintor chileno Roberto Mata e outra, uma retrospectiva do trabalho do maior artista brasileiro do século XX, Hélio Oiticica.

O Museu Berardo irá manter, para o próximo ano, a colaboração com o BES Photo na realização do concurso de fotografia que, em 2011, se difundiu, igualmente, nos países lusófonos. Pedro Lapa afirma que esta “abertura é muito significativa no sentido de posicionar Portugal como uma plataforma de articulação do que é produzido neste momento” nestes países.

Em 2012, poderá ver no Museu Berardo a exposição No Fly Zone, que pretende promover jovens artistas contemporâneos de África. Portugal tem pouco contacto com a arte africana e esta exposição,comissariada pelo curador Simon Njami, de Mali, e Fernando Alvim, de Angola, vem aproximar as duas culturas.

Em Outubro, o museu irá receber uma exposição comissariada pelo alemão Anselmo Frank, um dos curadores mais procurados no mundo das artes, que se baseia na eterna questão “o que é a arte?”. Esta exposição apresentará obras de vários artistas, incluindo de pintores portugueses.

Por fim, Pedro Lapa revela que para homenagear a candidatura do cante alentejano como património mundial da humanidade, o Museu Berardo irá organizar uma exposição com documentários, filmes ficcionais e trabalhos artísticos que elevam esta arte da cultura portuguesa.

Face à conjuntura económica que Portugal está a atravessar, Pedro Lapa garante que o Museu Berardo continuará de portas abertas. A colecção “dá ao espaço (CCB) uma qualidade que nunca teve em termos internacionais, sendo hoje reconhecido internacionalmente”, permitindo emprestar obras aos principais museus de todo o mundo, como o Centro Pompidou de Paris, ou o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA).

Em relação ao fim das entradas gratuitas, Pedro Lapa diz que “não vale a pena especular”. Sabe-se que Joe Berardo não sabe por quanto tempo conseguirá manter as entradas sem pagamento, contudo é uma questão que ainda não tem uma resposta definitiva.

O Museu Colecção Berardo, fundado em 2007, surgiu de uma parceria entre o Estado Português e o comendador Joe Berardo, que cedeu as suas obras de colecção num regime de empréstimo até 2016. Este museu tem sido uma mais valia para o panorama artístico português e espera cumprir o prazo da sua estadia no espaço do CCB.