Depois de uma pequena pausa, a rúbrica do Espalha Factos está de volta. Esta semana iniciamos uma série de 3 edições especiais intituladas 2011 de 0 a 20, ao longo das quais iremos fazer uma revisão dos principais programas que passaram pela RTP1, SIC e TVI durante o ano que passou. Começamos pela estação pública, a televisão que será analisada esta semana.

2011 de 0 a 20 – Especial RTP1

A RTP1 prometeu um ano repleto de novidades, tanto a nível de entretenimento como no que diz respeito à ficção nacional. No final de 2010, o então director da RTP1, José Fragoso, anunciava ainda uma remodelação em programas como Só Visto e Top +, que apareciam com nova imagem e conteúdos neste ano (o primeiro acabaria por terminar no verão e dar lugar ao Cinco Sentidos). Ao todo, foram mais de vinte as novas apostas do canal em 2011, só meia dúzia delas conseguiu convencer os telespectadores.

O ano de 2011 foi rico em estreia de séries. Ao todo, foram para o ar (pelo menos) dez produções portuguesas. Ao longo do ano surgiram ainda cinco novos formatos no campo de entretenimento, três deles ainda estão no ar. Entre estreias e finais, a estação pública apresentou-nos programas de todos os géneros, que de uma forma ou de outra conquistaram (ou não) o público.

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O ÚLTIMO TESOURO

Estreia – 23 de Janeiro de 2011

(Audiência do episódio- 2.6% de audiência e 14.2% de share)

Estreou nas manhãs de Domingo esta produção portuguesa que estava na gaveta há cinco anos. Chegou a falar-se que a série nunca tinha sido exibida por não terem sido gravadas todas as cenas previstas e a produção ter perdido a sua lógica narrativa. Contudo, os produtores da série vieram a desmentir tal facto. O certo é que os episódios eram pequenos (não chegavam a ter meia-hora) e, por vezes, parecia faltar qualquer coisa pelo meio das cenas. Em termos de audiências revelou-se um verdadeiro flop e a RTP1 não deixou passar o facto em branco, tendo cancelado O Último Tesouro ao fim de 7 episódios. Os restantes 6 capítulos chegaram a ser emitidos na RTP Internacional e RTP Açores, mas muito dificilmente regressarão à antena da RTP1. Apesar dos fracos resultados e da mediana produção, o respeito pelo público e por toda a equipa da série devia ser maior. Aqui foi a estação que falhou. 14/20

MATERNIDADE

Estreia – 30 de Janeiro de 2011

(Audiência do episódio- 7.3% de audiência e 18.2% de share)

Ao longo de altos e baixos, a produção, protagonizada por Lúcia Moniz, conseguiu agarrar uma boa fatia do público e chegou a registar 9.8% de audiência média e 30.8% de share, um óptimo resultado para a estação. Ainda assim, passou um pouco despercebida e, em contrapartida, várias foram as vezes em que ficou abaixo dos 20%. Mas a aposta foi boa, a qualidade da série justificou a sua exibição e como a produção agradou aos telespectadores, a RTP1 está já a preparar a segunda temporada. 17/20

ESTADO DE GRAÇA

Estreia – 1 de Abril de 2011

(Audiência do episódio- 9.7% de audiência e 24.2% de share)

O programa de humor já vai na segunda temporada. A primeira chegou em Abril, anunciada poucos dias antes da estreia e com uma promoção fraca. O programa acabou por ser o quinto mais visto do dia da televisão, uma surpresa na altura. Depois deste resultado, as audiências caíram e de semana para semana o programa foi conquistando menos telespectadores. Foi de férias e regressou em Setembro, num horário péssimo, às 23h00 de Sexta-feira e com resultados abaixo dos 15% de share. Pouco depois, Estado de Graça foi promovido para o principal horário de Domingo à noite. As audiências subiram um pouco, mas o programa continua com resultados modestos. O destaque deste programa vai direitinho para as imitações de Manuel Marques e Maria Rueff. Um bom exemplo disso é a sátira à Casa dos Segredos que tem feito sucesso para além do pequeno ecrã. É pena o programa não ser só assim, cheio de bons momentos de humor. 15/20

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QUEM TRAMOU O PETER PAN?

Estreia – 9 de Abril de 2011

(Audiência do episódio- 9.2% de audiência e 24.9% de share)

Este programa marcou o regresso de Catarina Furtado a um formato onde as crianças são as protagonistas. Adaptado do original Chi ha incastrato Peter Pan?, este programa foi uma boa aposta para as noites de Sábado, o que já não acontecia há bastante tempo (talvez desde os tempos de Dança Comigo). A apresentação de Catarina Furtado foi também uma mais-valia. Em relação a formatos anteriores, Catarina foi mais espontânea, esteve mais à vontade e no meio das crianças ficou bastante bem. A apresentadora esteve elegante e conduziu de forma alegre as dez emissões transmitidas. As perguntas das crianças e os seus hilariantes ‘apanhados’ fizeram o público soltar valentes gargalhadas. Assim, o formato, leve e bem-disposto, foi conquistando o público semana a semana. Apesar de ter descido nas semanas seguintes, conseguiu ficar várias vezes à volta dos 25% de share. 17/20

CONTA-ME COMO FOI

Final – 25 de Abril de 2011

(Audiência do episódio- 9.2% de audiência e 22.9% de share)

Chegou ao fim a série que ao longo de quatro anos acompanhou as aventuras da família Lopes, que retratavam uma época muito específica do nosso Portugal, os anos 70. A série histórica conseguia cativar todo o tipo de público pela sua genialidade a nível cénico, narrativo e de produção. Outro grande factor que fez desta série um dos marcos na ficção nacional foi as interpretações de todos os actores, onde víamos uma fantástica Rita Blanco como dona de casa ou o pequeno Luís Ganito, uma das maiores revelações em ficção portuguesa, e que conseguiu crescer cada vez mais nesta série. Conta-me Como Foi não foi um sucesso a nível audiométrico (terminou com uma média abaixo dos 20% de share), mas foi sem dúvida a série portuguesa mais bem conseguida de sempre. 20/20

ÚLTIMO A SAIR

Estreia – 8 de Maio de 2011

(Audiência do episódio- 7.2% de audiência média e 17.9% de share)

Estreou no mesmo Domingo em que na TVI era emitido o primeiro Perdidos na Tribo e a SIC transmitia a primeira expulsão do Peso Pesado. Prometia ser uma série inovadora de televisão, que ao início iria enganar os mais distraídos e levá-los a pensar que aquilo era um reality-show de verdade. Último a Sair foi tudo isto e muito mais. Foi uma verdadeira revolução na televisão nacional. A ideia era recriar com o maior realismo possível as situações características deste tipo de formato, fazendo crer ao espectador que aquelas pessoas estão mesmo fechadas numa casa que é vigiada 24 horas por dia. Escrita por Bruno Nogueira, João Quadros e Frederico Pombares, esta série foi um sucesso online e foi na internet que a maior parte dos fãs da série acompanharam as aventuras da ‘casa mais vigiada do país’ (na televisão a série acabou por atingir fracos resultados, ainda assim satisfatórias). Inteligente, divertida, genial, por vezes um pouco exagerada, esta foi das melhores apostas da RTP1 este ano. 18/20

SAGRADA FAMÍLIA

Estreia – 25 de Maio de 2011

(Audiência do episódio- 6.3% de audiência e 15.5% de share)

Mais uma produção da RTP1 que ficou na gaveta durante algum tempo. A sitcom Sagrada Família prometia ser um fantástico produto, sobretudo devido ao elenco. Nunca antes se tinha juntado numa mesma produção humorística grandes actores como Guida Maria, Ana Brito e Cunha, Simone de Oliveira ou Vítor Norte. Finalmente essa união iria acontecer e a série tinha tudo para resultar. Contudo, veio a revelar-se uma desilusão. Primeiro, a nível de audiências, o que fez com que fosse rapidamente para depois das 23h00. Segundo, devido à história e diálogos, grande parte deles sem grande piada e a puxar ao riso fácil. Terceiro, pela produção da série, que deixou a desejar com cenas longas e arrastadas, que faziam com que a sitcom perdesse o ritmo. O que salvou minimamente a ‘honra do convento’ foi mesmo elenco (Valéria Carvalho veio surpreender com a sua Madenusa), porque Sagrada Família acabou por revelar-se um verdadeiro flop e passou completamente despercebida na estação. 14/20

LIBERDADE 21 (NOVOS EPISÓDIOS)

Estreia – 19 de Junho de 2011

(Audiência do episódio- 3.1% de audiência e 8.3% de share)

Estreou em 2008 e depois fez uma pausa de mais de um ano na sua exibição. No início do verão deste ano, a RTP1 fez regressar à sua antena Liberdade 21, aos Domingos à noite. A série sobre advogados nunca fez bons resultados, mas esta exibição serviria não só para ‘tapar um buraco’ na programação como para ‘despachar’ mais alguns episódios da série. Ela acabou por ser retirada do ar algumas semanas depois, ficando ainda uma série de episódios por exibir. O insucesso desta série não se explica. Apenas é certo que o público português não gostou dela. As histórias e diálogos são bons, a produção ainda melhor, mas a realização por vezes deixa um pouco a desejar. Por se quererem aproximar demasiado das séries americanas, acabam por cair num produto português estranho e sem grande sucesso. 14/20

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MASTERCHEF

Estreia – 9 de Julho de 2011

(Audiência do episódio- 8.3% de audiência e 23.2% de share)

Em termos de conteúdo, nada a apontar. O formato está bastante bem pensado e adaptação portuguesa foi muito bem conseguida! A vitória de Lígia nesta 1ª edição do programa foi inesperada, mas merecida. Em termos de audiências, o programa poderia ser melhor, se dessem a outro dia da semana, mas tendo em conta o que é habitual na RTP1 naquele horário, e tendo em conta que grande parte do programa foi emitido em pleno Verão, Masterchef portou-se bastante bem. Vamos esperar pelo prometido regresso do programa em 2012, com Sílvia Alberto a apresentar e os habituais jurados a dar o seu parecer sobre os cozinhados dos concorrentes. 17/20

VIVER É FÁCIL

Estreia – 16 de Julho de 2011

(Audiência do episódio- 2.0% de audiência e 7.8% de share)

Estreou às 23h15 de um Sábado. Foi um dos maiores flops do ano na estação pública. A série de humor com Rui Unas e Jorge Mourato foi o 34º programa mais visto nesse dia. Depois desta estreia desastrosa, a produção ainda andou a divagar pelo início de madrugada de sábado, mas rapidamente foi cancelada. Um pouco confusa e demasiado ‘alternativa’ para a estação pública. A culpa foi da série ou do horário em que foi emitido? Fica a pergunta no ar, à qual provavelmente nunca iremos saber responder… 7/20

O ELO MAIS FRACO

Estreia – 19 de Setembro de 2011

(Audiência do episódio- 7.0% de audiência e 17.0% de share)

Estreou em Setembro mais uma edição do programa O Elo Mais Fraco, que veio substituir o (interminável) Quem Quer Ser Milionário Alta Pressão. Este regresso acontece 8 anos depois de Júlia Pinheiro e Luísa Castel-Branco terem assegurado a condução do formato. Nesta edição de 2011, o apresentador de serviço é Pedro Granger. Habituados a vê-lo num registo descontraído e divertido na apresentação, o apresentador e actor acaba por ficar bastante exagerado e teatral no papel de ‘mau da fita’.O formato ganharia muito mais com uma mulher na apresentação. Porque não Fernanda Freitas? Um dos regressos mais aguardados, que fica aquém das expectativas, devido à condução do programa, e também a nível audiométrico. 16/20

TEMPO FINAL

Estreia – 22 de Setembro de 2011

(Audiência do episódio- 2.6% de audiência e 7.7% de share)

Tempo Final foi uma das melhores séries produzidas em Portugal nos últimos anos. Anunciada como uma das apostas para esta rentrée, estreou em Setembro depois de ter sido gravado há mais de um ano. Esta é uma das típicas produções portuguesas de grande qualidade e que passam perfeitamente despercebidas do grande público. O facto de ser emitida na RTP1 é logo motivo para tal. A (falta de) promoção, o horário e o facto de este tipo de séries ser tão pouco comum no nosso país, fez com que Tempo Final fosse apenas mais uma série exibida na nossa televisão. 17/20

OS COMPADRES

Estreia – 24 de Setembro de 2011

(Audiência do episódio- 5.9% de audiência e 23.3% de share)

Anunciada como uma continuação de Nico D’Obra, uma série de sucesso dos anos 90, esta nova produção deixou muito a desejar. Ana Zanatti, Nicolau Breyner, Rosa do Canto e Fernando Mendes voltam a juntar-se com as mesmas personagens de há quase 10 anos e parece que a série também ficou parada no tempo. Repleta de piadas fáceis, a maioria sem graça nenhuma, Os Compadres não adiantam muito no humor actual, e pouco tem a ver com o que hoje se faz neste campo. O mais interessante é que das novas apostas da RTP nesta rentreé esta é a mais bem-sucedida, e depois de uma estreia fraquinha tem constantemente liderado no horário, ficando até já numa ocasião à frente das novelas da noite da TVI. 12/20

PAI À FORÇA III

Estreia – 25 de Setembro de 2011

(Audiência do episódio- 4.6% de audiência e 17.2% de share)

Estreou mal, ainda numa altura em que o sol não queria deixar-nos e as pessoas trocavam a televisão pelas últimas tardes na praia. Semana após semana, a série foi subindo nas audiências. Ainda assim, tem-se revelado um pouco inconstante, mas sempre a registar audiências agradáveis para a estação. O horário parece ser o mais indicado, a série é a mais familiar que a estação tem e o público gosta sempre de ver este género de histórias a fazer lembrar o extinto Super Pai. As aventuras e desventuras desta família ainda vão continuar no ar durante algumas semanas, numa série que entretém os telespectadores. 16/20

VELHOS AMIGOS

Estreia – 25 de Setembro de 2011

(Audiência do episódio- 5.3% de audiência e 14.4 % de share)

Esta série pretende retratar a vida dos idosos do nosso país, contando a história de três homens mais velhos e uma criança que entram numa aventura de redescoberta da vontade de viver. Enquanto isso, vão percorrendo o país e descobrindo os cantos do nosso Portugal. Os protagonistas são os veteranos Luis Alberto, Orlando Costa e João Maria Pinto. A série é engraçada, tem uma história leve, é bastante familiar. É ideal para se ver num serão em família, sendo também do agrado do público mais velho (grande parte da audiência da RTP1). Com tantos indicadores de um possível sucesso porque é que a série não resulta das audiências? O horário (Domingo depois das 22h30) deverá ser o principal motivo. Isto porque a repetição do episódio ao Sábado, pelas 18h30, consegue fazer quase o dobro do inédito ao Domingo à noite. Mais uma produção que mostra que às vezes o insucesso se deve ao horário de exibição. 15/20

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A VOZ DE PORTUGAL

Estreia – 29 de Outubro de 2011

(Audiência do episódio- 7.8% de audiência e 23.7% de share)

Este é um bom exemplo de programa de entretenimento de qualidade. Um programa onde todos os géneros musicais passam por lá, onde pessoas de todos os géneros e idades podem participar e onde o que interessa mesmo é ter voz e ser A Voz de Portugal. Aqui não há os chamados ‘cromos’, neste programa só as boas vozes têm lugar. E mesmo aquelas que não passam, têm em comum uma excelente capacidade vocal e a luta por um sonho no palco. Aqui, os concorrentes não são gozados ou humilhados, são antes aplaudidos e elogiados. As audiências têm subido, e, no passado Sábado, o programa liderou no horário nobre da estação. Teremos ainda boas surpresas com este programa? É esperar para ver, pois o formato só termina em Março de 2012. 19/20