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Um verão tempestuoso

É verão em Roma. Dois homens e duas mulheres deixam-se levar pelas vicissitudes do amor. Entre encontros e desencontros, Angèle, Frédéric, Élisabeth e Paul debatem-se com a mutabilidade dos afectos, entre ciúme, amizade e paixões doentias.

A nova longa-metragem de Philippe Garrel, Un été brûlant (Um Verão Escaldante, assim traduzido em português), passou pelo Lisbon and Estoril Film Festival, marcado pela presença do actor Louis Garrel, filho do aclamado realizador francês, que interpreta Frédéric neste mesmo filme , tendo vindo apresentar a sua mais recente curta-metragem, La règle de Trois.

Frédéric conhece Paul (Jérôme Robart), personagem que narra toda a história, através de um amigo em comum. Frédéric convida-o a passar uma temporada em Roma, onde vive com a sua esposa Angèle (Monica Bellucci). Paul e a sua namorada Élisabeth (Céline Sallette) instalam-se. Há uma rápida empatia entre os casais. O pintor aburguesado e a actriz bem sucedida (Frédéric e Angèle) recebem os novos amigos de braços abertos na sua casa abastada, na qual Paul e Élisabeth, duplos de cinema a roçar a indigência, irão passar os próximos tempos.

As relações entre os jovens casais começam a ruir quase instantaneamente, aflorando críticas e emoções guardadas no baú, como se cada par fosse o catalisador da destruição do outro. Levando um dia-a-dia descomprometido, o tempo destas personagens é passado entre festas, passeios e introspecções caseiras, em que os dois amigos se debatem com as falsas expectativas do amor e se constrói, alheia, uma cumplicidade feminina plastificada. Angéle, altamente carente, reprime o falhanço do seu casamento com Frédéric, instável emocional, que parece perder a razão de viver (o que é bastante sugestivo desde a prolepse suicida deste protagonista). Élisabeth e Paul não fogem ao quadro – dois espíritos livres em constante luta por atenção, que no fundo não passam um sem o outro.

Un été brûlant é um drama onde existem demasiadas pretensões: As críticas políticas obscuras, o melo-romantismo exacerbado (com direito a um piano choroso na banda sonora), a incapacidade de nos identificarmos com a grande generalidade das personagens e o seu relacionamento quase forçado, arranjados num nouvelle vague que simplesmente não resulta, geram uma amálgama que se desfaz à mínima reflexão. Apesar de alguns pontos interessantes, como a volubilidade de Élisabeth, o antagonismo e a ironia das críticas de Frédéric ou a melancolia dos afectos onde facilmente nos revemos, os dramas destes artistas pseudo-boémios tornam-se rapidamente enfadonhos – esperava-se mais do realizador de Les amants réguliers.

Em homenagem a uma amigo póstumo, Phillipe Garrel traz-nos um filme que divide vagamente a opinião do público, num registo estético que apesar de não divergir muito ao qual nos habituou, acompanha um enredo que não nos aquece nem arrefece.

httpv://www.youtube.com/watch?v=rv2DadvLS8I&feature=player_detailpage

5/10

Título Original: Un éte brûlant

Realizador: Phillipe Garrel

Argumento: Marc Cholodenko, Phillipe Garrel, Caroline Deruas-Garrel

Elenco: Monica Bellucci, Louis Garrel, Céline Sallette, Jerôme Robart

Género: Drama

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