Decorreu dia 26 de Outubro a Gala Por um Objectivo, que pôs término ao projecto iniciado pela plataforma portuguesa das ONGD (Organizações Não – Governamentais), pela qual oito bandas portuguesas deram a sua voz. Lê aqui a entrevista a David Santos (Noiserv).

«A causa é mais que nobre», afirma Rui Pêgo, enquanto apresentador. E de facto é: Orelha Negra, Moonspell, Souls of Fire, Noiserv, João Só e Abandonados, Easyway, Humble e Nu Soul Family apadrinharam cada um dos Objectivos do Milénio, em nome da consciencialização das massas, pela necessidade e urgência de agir. A Gala desenrolou-se ao som das músicas que cada banda dedicou ao objectivo apadrinhado, interpretadas por um quinteto jazz.

Os principais frutos palpáveis desta iniciativa de sensibilização são a música Somos Voz, composta pelos artistas em plena colaboração e o respectivo videoclip, com apresentação inédita na mesma noite. «Espero que isto não fique apenas por músicas», confessa João Só.

httpv://youtu.be/sfB0ybJD4VI

No final da Gala, o Espalha-Factos esteve à conversa com Noiserv, padrinho do quarto ODM (objectivo do Milénio), que visa reduzir a mortalidade infantil, ao qual dedicou o tema Mr. Carousel:

1. Antes de mais, a tua música foi interpretada por um quinteto de jazz. Como te soou a versão?

Muito Engraçada! Gosto muito de ouvir interpretações ou novas versões de algo que tenha escrito.

2. O objectivo a que te associaste foi escolhido por ti ou foi-te sugerido pela organização deste movimento? Identificas-te especialmente com esta causa?

Foi escolhido por mim. Acho que todas as causas são muito importantes, e cada uma delas à sua maneira é essencial para conseguirmos melhorar o mundo em que vivemos. No entanto, e tendo em conta a música que faço, senti que este seria o mais adequado.

3. Com este projecto apercebeste-te de realidades que sabias existirem mas cuja gravidade não calculavas tão grande?

 Todos sabemos que estes problemas existem. No entanto, é com iniciativas deste género que tomamos uma real consciência da dimensão dos factos e que sentimos a urgência em fazer algo.

 4. Como avalias o impacto da consciencialização levada a cabo por esta iniciativa?

Em termos de impacto, a única avaliação que posso fazer é sobre o sucesso do evento final, um auditório cheio. De resto acho que nunca será um impacto imediato… É uma mentalização que tem de ser criada aos poucos.

5. A crise é só de falta de recursos ou consideras que seja provocada em grande parte pela falta de valores?

Acho que os valores continuam a existir. O problema é que a sociedade em que vivemos cada vez mais tende a isolar as pessoas e a tirar-lhes todo o tempo livre e, por conseguinte, a possibilidade de querer fazer sempre algo mais. Os recursos podem ser menos, mas se houver vontade e disponibilidade tudo acaba por acontecer.

6. Como vês o mundo em 2015, data em que era suposto estarem cumpridos os objectivos do milénio?

Muito dificilmente os objectivos terão sido cumpridos, acho no entanto que o facto de existir uma meta e um prazo a cumprir, ajuda a que algo seja feito. Em 2015, não faço ideia como estará o mundo, espero que esteja mais equilibrado, pelo menos!

Um grande obrigado, David Santos, pela disponibilidade e pelas palavras.