Na sua nona edição, o DocLisboa não esqueceu uma vez mais a música com a secção Heart Beat. Para além do rock, que tanto sucesso fez neste Doc, com o filme sobre George Harrison (George Harrison: Living in the Material World) esgotado e o End of the Century: The Story of The Ramones recebido com sala quase cheia, o jazz também merece destaque, bem como a música popular brasileira. Michel Petrucciani e Pixinguinha são dois dos filmes que o Espalha-Factos destaca.

 

Michel Petrucciani – 8/10

Michael Radford realizou este excelente documentário sobre a vida do pianista de jazz Michel Petrucciani, que media apenas 90 centímetros de altura na idade adulta. A sua estatura e problemas associados, deviam-se à doença com que nasceu: osteogénese imperfeita. Apesar das limitações físicas, Petrucciani tornou-se um músico de jazz aclamado internacionalmente. Vendeu mais de 1,5 milhões de álbuns e deu centenas de concertos por todo o mundo.

Mais do que qualquer outra coisa, este documentário é uma lição de vida para qualquer um de nós. A determinação deste músico, apesar de todos os problemas de saúde que enfrentava, é de deixar qualquer um boquiaberto.

Radford escolheu os testemunhos-chave, contando a história de Petrucciani, cronologicamente, a partir dos depoimentos do próprio, de familiares, amigos e companheiras. Sempre de uma forma muito próxima, carinhosa e divertida, que nos envolve facilmente e nos surpreende a cada novo dado.

Petrucciani quis viver a vida ao máximo. Teimoso desde criança, onde exigiu um piano aos pais como forma de provar que queria mesmo tocar, em adulto assim o continuou a ser, não dando ouvidos às recomendações médicas, ao fumar, beber e consumir drogas. O seu frágil aspecto não foi impedimento para o músico se revelar um playboy, sempre rodeado de mulheres e com uma longa lista de namoradas.

Michel Petrucciani, nos poucos anos que viveu, conquistou o mundo e certamente foi um homem realizado. É isso que nos mostra este documentário, como um homem com tantas limitações chegou tão longe e viveu muito mais do que tanta gente. Vontade de viver é uma expressão que resume bem este documentário.

Pixinguinha – 7/10

Pixinguinha faz-nos recuar a Abril de 1954, quando Thomaz Farkas filmou, com uma câmara de 16mm de corda, uma apresentação de Pixinguinha e o Pessoal da Velha Guarda, no parque do Ibirapuera, em São Paulo. Esse material perdeu-se e foi reencontrado 50 anos depois.

Nesta curta, Thomas Farkas e Ricardo Dias recuperam esse material e Farkas conta como tudo se passou. Ao filme mudo de 1954, junta-se uma banda sonora de Pixinguinha, que acompanha as imagens e os testemunhos actuais do realizador. Pixinguinha é uma história curiosa que merecia ser contada e um filme perdido que merecia ser visto.

Inês Moreira Santos