Juntos desde 1999, os Kasabian são um grupo de Alternative Rock, vindo de Leicester, Reino Unido. Com a estreia em disco em 2004, com o homónimo Kasabian, a banda foi lançada para um reconhecimento instantâneo, graças aos seus hits (quem não se lembra de L.S.F. e Club Foot?), reconhecimento esse que foi cimentado com os dois discos que se seguiram, Empire (2006) e West Ryder Pauper Lunatic Asylum (2009). Em meados de Setembro deste ano, chegou-nos o quarto álbum de originais da banda, Velociraptor!, registo que será hoje analisado.

Apesar de ser fã da banda e achar que já produziram LP’s bastante consistentes e de qualidade, a verdade é que, a meu ver, os Kasabian nunca foram capazes de ultrapassar o estatuto de “promessa” do Rock britânico, falhando em lançar um “grande álbum” capaz de torná-los em sucessores dignos do grande legado do Rock britânico de bandas como The Beatles, The Rolling Stones, The Stone Roses ou Oasis. Por isso, vi este Velociraptor! como uma oportunidade para o quinteto inglês de concretizar as esperanças que gerou, algo que infelizmente não vi acontecer. Apesar de este ser um bom disco, continua a não ser a obra brilhante que os Kasabian têm vindo a prometer.

Quem conhece os Kasabian sabe que a música destes assenta numa mistura de Alternative Rock e Britpop com a Synthpop e Electronica, criando assim uma sonoridade forte, hipnótica e frenética muito singular, bem presente nos seus três primeiros discos, especialmente em West Ryder Pauper Lunatic Asylum. Contudo, neste Velociraptor!, para além do som-base dos Kasabian, assistimos também à introdução de novos elementos na estética do grupo, como o Rock mais musculado dos Led Zeppelin¸visto em Days Are Forgotten, ou o psicadelismo oriental explorado em algumas peças dos Beatles, observável em La Fée Verte ou Acid Turkish Bath (Shelter From the Storm).

Na produção, a cargo de Dan the Automator (produtor de West Ryder Pauper Lunatic Asylum) e do guitarrista Sergio Pizzorno, assistimos a um corte com a abrasividade do antecessor, vendo uma aposta num som mais polido, e até num maior recurso a arranjos orquestrais, que engrandecem o som de faixas como Goodbye Kiss ou La Fée Verte, uma mudança que se conjuga bem com o ambiente do disco. Nas letras, também a cargo de Pizzorno, continuamos a assistir à lírica enigmática que já é habitual nos Kasabian, enquanto Tom Meighan continua a encantar com os seus carismáticos vocais. Todas estas características fazem de Velociraptor! um álbum com qualidade, que me deu bastante gozo ouvir.

Contudo, este Velociraptor! está, como já disse, longe de ser um disco perfeito, sendo até, na minha opinião, um pouco inferior a West Ryder Pauper Lunatic Asylum, e a razão para isso é fundamentalmente a falta de continuidade, questão que não é nova nas obras dos Kasabian, mas que aqui é agravada. Apesar de muitos dos sons que o quinteto explora aqui serem interessantes, a falta de uma linha condutora no álbum causa uma dispersão que, a meu ver, em nada ajuda à qualidade do disco.

Outra questão que me causou desagrado em Velociraptor! está ligada a uma certa inconsistência entre as canções, outro problema recorrente nos registos dos Kasabian. Se é certo que neste quarto álbum estão presentes peças tremendamente boas, a verdade é que também estão aqui faixas que são perfeitamente dispensáveis, ou que poderiam, pelo menos, ter sido mais bem trabalhadas, por forma a cumprirem parâmetros mínimos de qualidade.

Como melhores peças deste disco, destaco a contemplativa e “Beatle-esca” La Fée Verte, a portentosa Re-Wired, e a minha favorita, a energética Velociraptor!, faixa-título que consiste numa injecção directa de adrenalina. Quanto às músicas de que menos gostei, assinalo Let’s Roll Just Like We Used To, Goodbye Kiss e Neon Noon, canções que falham em manter o bom trabalho presente noutras peças do LP.

Resumindo, Velociraptor! é um bom álbum, mas não consegue estar ao nível dos seus antecessores, devido a problemas que não são novos na música dos Kasabian, e que aqui se manifestaram com maior intensidade. Contudo, o Alternative Rock deste quinteto vindo de Leicester continua bem afiado, e esta é uma obra que não envergonha ninguém, e que vai com certeza agradar a muitos fãs da banda. Só fica é a esperança que, para a próxima, façam algo verdadeiramente espectacular, porque assim fica a saber a pouco.

Nota Final: 7,6/10