Continuando a análise à presença portuguesa no DocLisboa, fica aqui a segunda parte do artigo que conta com a crítica ao vencedor Yama No Anata e a outras duas médias ou longas metragens portuguesas.

Competição Portuguesa Médias e Longas Metragens


Yama No Anata – Atrás das montanhas – 8/10 

Primeira obra de Aya Koretzky, uma japonesa que veio morar com os pais para Portugal quando tinha nove anos. Este é um documentário bastante pessoal, onde a realizadora faz uma reflexão sobre a vinda para Portugal e as memórias do passado em Tóquio. Ao longo de 60 minutos, Aya interroga os seus pais sobre os motivos que os trouxeram a Portugal, fazendo uma ponte entre o passado e o presente. É-nos apresentada a sua  vida rural, perto do Coimbra, bem diferente da vida agitada em Tóquio, um contraste sempre presente, que se manifesta através de práticas e hábitos.

Composta por  vídeos, cartas trocadas com amigos e familiares deixados no Japão, e fotografias, Aya mostra-nos uma boa primeira obra, com um resultado comovente e encantador. A música original da realizadora, assim como toda a mistura de som, é uma mais-valia, tal como as deslumbrantes paisagens perto do Mondego.

Cartas de Angola – 6/10

Dulce Fernandes apresentou o seu primeiro filme, Cartas de Angola, neste DocLiboa. Faz-se uma viagem ao passado, a memórias de Angola, onde se cruzam duas histórias: a de uma portuguesa nascida em Angola nas vésperas da independência (que narra a história) e a dos cubanos que combateram na guerra, depois de 1975.

O resultado não é famoso. Compara-se o incomparável. A pequenez da história da narradora é tão pouco, ao lado das vidas dos cubanos que estiveram em Angola aquando da Guerra, quer a combater, quer a tentar que as vidas dos soldados fossem um pouco menos dolorosas.

Há um grande egocentrismo por parte da realizadora que parece querer tornar a sua história como o centro do filme, o que não é correcto. O tom da narração também não me parece ser o indicado. A duração do filme torna-o um pouco maçador e são várias as vezes em que o público pensa que terminou, mas isso não acontece.

Por outro lado, as histórias dos cubanos são o melhor neste Cartas de Angola e é difícil perceber o porquê da opção que as coloca num plano secundário. Histórias fortes, arrepiantes, que marcam um passado para sempre presente na memória daquelas pessoas.

Fora de Competição

Coração no Escuro – 6,5/10

Maria Joana Figueiredo relembra o Filme do Desassossego, através deste seu filme, Coração no Escuro, que dá a conhecer os bastidores da obra de João Botelho. É um filme sobre um filme sobre um livro, uma apropriação de outra.

Coração no Escuro irá agradar principalmente aos fãs do Filme do Desassossego, que poderão, desta forma, ver como foi a sua rodagem, realizador e actores.

*Por Inês Moreira Santos e Renata Curado