As ruínas de uma ilha isolada e o desespero de famílias num ambiente de guerra, são os temas principais dos dois filmes que integraram a competição internacional no DocLisboa 2011: Gunkanjima e Barzakh.

Gunkanjima, a curta-metragem japonesa, apresenta, em primeiro plano, uma ilha perto da mina de carvão de Hashima, o nascer do sol e vários edifícios destruídos. Os poucos planos existentes na curta são lentos e muitos estáticos, criando uma sensação de solidão e de vazio. Os prédios em betão, de semelhante altura, possuem uma arquitectura pouco criativa  e impessoal.

A flora invade os edifícios incompletos e inabitáveis. A natureza habita nas casas modernas e tradicionais. Os sons ambiente campestres e marítimos distanciam-nos de uma realidade urbana e populosa. A voz off revela-nos uma informação diferente das imagens, que pouco ou nada diz de relevante para a história visual do filme.

4/10

A incerteza das famílias e a guerra da Chechenia é o que nos conta a longa-metragem em competição, Barzakh.

O retrato do desespero e da espera interminável pelos entes queridos, que desapareceram, entre 2006 e 2009. Apesar de não vermos os confrontos bélicos, a tensão da guerra continua latente e paira naqueles que aguardam por uma notícia de quem mais amam.

O filme começa com uma oração em nome dos mortos, declamada num dia de chuva, apelando para que os desaparecidos voltem para casa. De seguida, apresenta a vida de uma aldeia invadida pela ausência. Mulheres e crianças, esperam pelo regresso dos maridos, pais e filhos.

Pensativas, em silêncio, investem o seu tempo em rezas e superstições profanas, deitando pedrinhas para conhecer o seu destino. Escrevem cartas incessantemente para a Federação Russa, para saber a razão pela qual os desaparecidos não dão notícias. Colam-se cartazes nas ruas com a esperança de que alguém tenha visto o seu paradeiro. O choro e os cantos de  oração vindos das mesquitas ecoam através das montanhas.

As casas encontram-se abandonadas, numa aldeia a ser reconstruída após a destruição. Apesar dos escassos recursos e da localização isolada, a aldeia continua viva, realizando os seus bailes tradicionais e casamentos. A vida tem de continuar, pois é uma dádiva a sua sobrevivência.

“A nossa vida está suspensa” afirma uma das mães, que guarda a fotografia do seu filho sempre consigo próxima do coração. Barzakh separa dois mundos, o limiar entre os vivos e os mortos. As várias vozes sobrepostas de súplicas intensificam a carga dramática, que acompanham planos do fundo do mar. A metáfora das vidas submersas, afogadas pela dor.

Esta é a primeira obra do realizador Mantas Kvedaravicius e transporta o espectador para uma realidade de ausência e de esperança, em que os mais queridos regressam num possível sonho.

8/10

Ficha técnica:

Realizador: Mantas Kvedaravicius

Argumentista: Mantas Kvedaravicius

59′ Finlândia, Lituânia 2011