Foi na noite passada que teve lugar a sessão oficial de encerramento da nona edição do festival DocLisboa, que termina hoje. É na Terra, Não é na Lua, de Gonçalo Tocha, foi o grande vencedor da noite, arrecadando o prémio máximo deste evento, o Grande Prémio Cidade de Lisboa para melhor longa ou média-metragem, atribuído pelo júri presidido pelo historiador Peter von Bagh. Para além do anúncio dos vencedores deste ano, o filme Photographic Memory, de Ross McElwee, encerrou o evento.

É na Terra, Não é na Lua é o documentário sobre a ilha do Corvo, a mais pequena do arquipélago dos Açores, com apenas 440 habitantes. Esta segunda longa-metragem de Gonçalo Tocha, que esgotou as duas salas por onde passou neste DocLisboa, combina registos antropológicos, literatura, arquivos e histórias mitológicas e autobiográficas. Depois da menção especial que recebeu em Agosto no Festival de Locarno, este Prémio Cidade de Lisboa só vem reforçar a qualidade do trabalho de Tocha neste documentário.

Dentro da competição nacional, os premiados foram Yama no Anata, de Aya Koretzky, que recebeu o título de melhor longa ou média-metragem (que também recebeu o prémio Escolas), e a muito polémica Praxis, de Bruno Cabral, foi distinguida como a melhor curta portuguesa. O estreante Pedro Filipe Marques recebeu o prémio para melhor primeira obra portuguesa com o filme A Nossa Forma de Vida.

Voltando à competição internacional, foi Con la Licencia de Diós, de Simona Canonica, a vencedora da melhor curta. Dentro desta categoria foi ainda atribuído um prémio especial a Pierre-Yves Vandeweerd por Territoire Perdu.

O prémio Revelação para melhor primeira obra de longa ou média-metragem nas diversas secções internacionais coube a Ami, entends-tu, primeiro filme de Nathalie Nambot. Na secção Investigações, Diário de uma Busca, de Flávia Castro, foi o filme premiado. Já Rechokim, The Collaborator and His Family, de Ruthie Shatz e Adi Barash, recebeu uma menção honrosa nesta secção.

O prémio Universidades foi para De Engel van Doel, de Tom FassaertDiário de uma Busca recebeu também o prémio CPLP para a melhor longa ou média-metragem dos Países de Língua Portuguesa.

Todos os filmes vencedores repetem hoje, domingo, na Culturgest, onde também será projectado um filme surpresa, entretanto já revelado. Trata-se de Duch, Le Maître des Forges de l’Enfer, de Rithy Panh, que teve a sua estreia mundial no Festival de Cannes deste ano.

Inês Moreira Santos