E foi no passado Domingo, dia 16, que a Festa do Cinema Francês se despediu de Lisboa, com uma despedida cheia de grandes filmes. A animação deu início ao último dia de festa com Le Marchand de Sable, de Sinem Sakaoglu e Jesper Møller, e Les Contes de la Nuit, de Michel Ocelot . Le Bruit des Glaçons, Le Nom des Gens, Poupoupidou e Un Poison Violent também marcaram presença.

A sessão de encerramento, no São Jorge, ficou marcada pela projecção do filme vencedor do Prémio do Público – Prémio Groupama Seguros. La Source des Femmes, de Radu Mihaileanu, foi o premiado.

Poupoupidou – 6.5/10

Sophie Quinton marcou presença na projecção de Poupoupidou, filme onde é protagonista e que não terá distribuição em Portugal. De Gérald Hustache-Mathieu (realizador que a actriz tem acompanhado desde o primeiro trabalho), Poupoupidou pretende reavivar a história de Marilyn Monroe através de Candice Lecoeur, estabelecendo um paralelismo entre as vidas de ambas. No final da projecção, a actriz respondeu a questões do público acerca deste papel e do filme.

Candice Lecoeur, ou Martine Langevin (nome com que nasceu), é uma cantora e modelo de província, que faz de tudo para se parecer com Marilyn Monroe, acabando por morrer, aparentemente, da mesma forma: um provável suicídio com soporíferos. No entanto, David Rousseau, um famoso escritor de policiais, não acredita na versão da polícia e, em Mouthe, a cidade mais fria de França, investiga a história de vida da jovem cantora, tentando perceber o que realmente lhe aconteceu, ao mesmo tempo que quer encontrar a inspiração para um novo livro.

httpv://www.youtube.com/watch?v=18TMWNp0Pws

Poupoupidou tem uma construção muito interessante e a sua condução é muito curiosa, sendo o filme sempre narrado pela protagonista, já morta, que acompanha todas as descobertas de David. Contudo, e apesar de ficar provado que Gérald Hustache-Mathieu sabe como contar uma história, o filme tem um culminar demasiado rebuscado, que faz cair por terra todas as esperanças de um final espectacular. A banda sonora é muito agradável esforçando-se sempre por relembrar Marilyn, como é o caso do tema que dá nome a este filme I wanna be loved my you, que a própria Candice trauteia (“Poupoupidou”).

Nota-se que houve um grande trabalho de investigação, que foi posto em prática de forma muito bem concretizada, mas que se desfaz com a confusão gerada em volta da verdadeira morte de Candice. A história da jovem da província que queria ser Marilyn, encanta, mas peca pelo seu desfecho que não consegue estar à altura do que se faria esperar.

Depois de Lisboa e Almada, a Festa do Cinema Francês passou pelo Porto e por Guimarães (de 19 a 23 de Outubro) e está agora em Faro até dia 30. De 2 a 8 de Novembro seguirá para Coimbra.

Inês Moreira Santos