Não recorrer à locução em língua portuguesa, é impedir que pessoas com deficiência visual tenham acesso a conteúdos de extrema relevância”, constata a direcção da Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal (ACAPO), em comunicado.

A ACAPO representa e defende, desde 1989, os direitos e interesses das pessoas com deficiências visuais. Em comunicado, a associação refere que assiste com preocupação ao crescente “abandono da locução em língua portuguesa no panorama televisivo português”.

Há cerca de um mês, o Diário de Notícias (DN) noticiou o fim das dobragens dos conteúdos dos canais História, Bio e Odisseia.

Em declarações ao DN, o responsável pelos três canais, Eduardo Zuleta, explicou as razões desta decisão: “Esta mudança tem como objectivo adequar a programação às preferências dos telespectadores portugueses”, para além da contenção de custos, também referida. A direcção da ACAPO afirma que “eleger os conteúdos legendados em detrimento da locução, com fundamento em razões económicas, ou relacionadas com a preferência dos telespetadores, é menosprezar um público-alvo que não é, de todo, residual – cerca de 20% da população”.

A associação que representa os deficientes visuais de Portugal promete que “não deixará de pugnar pela adopção de medidas que contemplem, nos canais televisivos difundidos em Portugal, a sua plena acessibilidade”.