O sexto dia da 12ª Festa do Cinema Francês, 11 de Outubro, fica marcado pelas antestreias de Un Amour de Jeunesse, de Mia Hansen-Love, e de Tous au Larzac, de Christian Rouaud, contando ambas as sessões com a presença dos respectivos realizadores.

UN AMOUR DE JEUNESSE – 6/10

O novo filme de Mia Hansen-Love, estreado este Verão em França, Un Amour de Jeunesse (Um Amor de Juventude, título traduzido) vai de encontro ao desejo da realizadora de “procura e desejo de clareza”.

Num dia dedicado a Rhône Alpes, o público do Cinema São Jorge ficou a saber que este filme faz parte de uma lista de produções cinematográficas apoiadas financeiramente por aquela região francesa por serem aí gravadas, num total de 15 películas por ano.

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Camille apaixona-se por Sullivan. Sullivan deseja partir para a América do Sul. Um medo da partida iminente assombra a rapariga, que chega a um ponto de ruptura emocional quando a partida do seu amado acontece, sobretudo quando ele deixa de lhe escrever a contar as suas viagens. Os anos passam e a rapariga é agora uma mulher de sucesso no ramo da arquitectura, encontrando novamente o amor em Lorenz, um famoso arquitecto, e voltando a ganhar confiança em si mesma. Um dia Sullivan reaparece…

O público estaria à espera que, tratando-se de um amor de juventude, o filme tivesse, pelo menos na sua fase inicial, uma energia e um fulgor revitalizantes. Em vez disso, as imagens mostram-se lentas, um tanto ou quanto aborrecidas, transmitindo uma sensação de um amor demasiado dramático para ser vivido na adolescência. O espectador espera que o filme dê uma reviravolta e que traga um novo ritmo. Em vez disso, somos reenviados, vezes e vezes sem conta, às mesmas emoções e sensações. Por vezes, o filme tenta aligeirar o seu ritmo com a introdução de banda sonora, mas rapidamente é sugado pela lentidão (e silêncio) da cena seguinte.

Uma história que poderia ser abordada de múltiplas formas, mas que no filme acaba por perder-se na monotonia e no esperado. Demasiado melodramática, demasiado existencialista, demasiado pesada para mostrar um amor de juventude (por mais complicado que ele seja), aliada a algumas interpretações com pouca intensidade interpretativa.

Quanto a pontos positivos, eles também existem. Um deles vai para uma banda sonora que tenta aliviar o ritmo pesado que o filme toma e o outro para a boa fotografia, que consegue mostrar paisagens bastante peculiares e que enriquecem de certo modo a acção, conferindo-lhe um carácter jovem e divertido.

Un Amour de Jeunesse consegue conquistar pela diversidade de planos que dão conta de ambientes únicos, pela sua banda sonora descontraída e, apesar da história, pela vontade que todos temos de um final feliz no amor. Mesmo quando ele não acontece.