O cantor britânico James Blunt passou ontem por Lisboa, entre saltos para o palco, agradecimentos em português e as baladas obrigatórias que entoaram por todo o Coliseu, James mostrou que tem muito para dar aos seus fãs de Portugal, que mostraram o apreço pela sua música. A energia e alegria contagiantes foram constantes durante toda a noite.

Para abrir o espectáculo, por volta das 20h45, chegaram os Jukebox The Ghost, banda norte-americana que tem acompanhado James Blunt no seu tour e a quem agradeceram, logo de início, a oportunidade. Apesar de pouco conhecidos por cá, os apenas três músicos depressa conquistaram a plateia portuguesa, ansiosa e alegre, que os soube receber com animação q.b. Apenas com dois álbuns editados (Let Live and Let Ghosts e Everything Under The Sun), o trio deu um show ao estilo saltitante do indie rock. Melodias agradáveis, letras bem pensadas e um baterista que toca com baquetas e pandeiretas em simultâneo, foram algumas das impressões positivas que deixaram, pelo menos ao ouvintes mais atentos. No final, elogiaram a audiência com o velho piropo: “Vocês são, sem sombra de dúvida, a melhor plateia para quem tocámos durante estas últimas duas semanas”. Verdade ou bajulação, o público respondeu com gritos e aplausos. É o que se quer.

Depois de um tempo de espera em que os fãs iam ainda chegando, já se vislumbrava um Coliseu cheio para ouvir James Blunt. Pelas 21h45 começam a chegar ao palco os músicos que acompanham o cantor britânico. O público não conseguiu parar de olhar em volta e fazer barulho, à espera de ver chegar o homem da noite. Depois de um compasso de espera, eis que começa a surgir pelo corredor central da plateia, a entrada que talvez muitos não esperassem.  James  vai caminhando para o palco, tentando libertar-se das mãos dos fãs, em êxtase, que lhe querem tocar, principalmente estando ele tão perto. Com um sorriso estampado na cara e já ao lado dos seus músicos, inicia o concerto com So Far Gone do novo álbum (Some Kind Of Trouble). O público derretido acompanha-o, ainda a aquecer a voz, nas próximas: Dangerous e Billy.

É na quarta canção, Wisemen, que o público entoa com maior conhecimento de causa. Não fosse este um dos seus primeiros singles do álbum Back To Bedlam, de 2004. Já tinha agradecido a Lisboa e dito “boa nôte” e “obrigado“, mesmo que garantisse que o seu português não era grande coisa e pedindo desculpa por não saber nenhuma piada na língua de Camões. Do segundo álbum All The Lost Souls, interpreta a balada Carry You Home, uma daquelas que todos esperavam e gostaram de ouvir, foi seguida de These Are The WordsI’ll Take Everything, já no piano. Segue-se a mais antiga Out Of My Mind e, já no piano, perguntou ao público que outra balada queriam ouvir. Entre algumas sugestões, a mais pedida em uníssono foi Goodbye My Lover, canção que cantou e tocou com alma e que teve direito às vozes dos fãs em plano de fundo. Seguiu-se High, do mesmo primeiro álbum, que a maioria conhecia e muito bem.

A melancólica Same Mistake é cantada também por um impressionante coro, que deixa notoriamente feliz o cantor, por perceber que os fãs portugueses sabem bem as canções que marcaram a sua carreira e lhe deram sucesso, esta também do álbum All The Lost Souls. Com menos vozes espontâneas, mas com um belo coro impulsionado pelo cantor, If Time Is All  Have, foi dedicada a todas as raparigas apaixonadas, contando com vozes de muitos, repetindo a frase: “But if time is all I have/I’ll waste it all on you”.  No verso “Won’t you say my name, one time/Please just say my name”, um  fã grita “James” alto e bom som, gerando uma risada que se propaga. Não se esquecendo dos “rapazes que foram arrastados para ali pelas namoradas” toca  Turn Me On, seguindo-se One Of The Brightest Stars, esta do segundo disco.

“Lisbon, I wrote this song for you” diz James Blunt, quando se começa já a perceber que é o grande single You’re Beautiful que estava a faltar. Aqui não há hesitações e a memória nunca falha. A letra é sabida de ponta a ponta e a emoção das vozes fá-la entoar mais alto por todo o Coliseu dos Recreios. So long Jimmy e I’ll be Our Man encerram o concerto, pelo menos até ao encore (mais do que esperado), pois nesta última o cantor decide mesmo fazer crowdsurfing, mas depois abandona o palco sorrateiramente. Sair sem dizer adeus não combina com James Blunt e, por isso mesmo, volta.

Volta e toca a obrigatória Stay The Night single do último álbum e, ainda, a bela melodia 1973, que muitos dos fãs aguardavam ansiosamente. Nesta sobe inclusivamente para cima do piano e dança, sempre para surpreender mais ainda os fãs que já assim o idolatravam e não era pouco. A despedia é então bem composta com Blunt a agradecer a Lisboa no particular e a Portugal no geral, tirando uma fotografia aos fãs com a sua máquina, o que os deixa radiantes. Teve tempo ainda para levar consigo a bandeira de Portugal, de um dos fãs, enquanto abandonava o palco. Goodbye James, esperando ver-te cá em breve.

*Reportagem: Susana Pacheco

*Fotografia: Sara Alves