O dia 7 de Outubro, o segundo da 12ª edição da Festa do Cinema Francês, voltava a trazer ao Cinema São Jorge, em Lisboa, uma enchente como a do dia anterior.

Para além de Le Voyage dans la lune e The Artist, que estiveram também presentes na sessão de abertura, noutro espaço do festival, a Cinemateca Portuguesa, o filme Lola de Jacques Demy fazia as honras da casa. Contudo, o grande destaque do dia ia para a antestreia de De Vrais Mensonges (Uma Doce Mentira, título trazido) que encheu a Sala Manoel de Oliveira no São Jorge.

DE VRAIS MENSONGES – 8/10

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Audrey Tautou, uma das mais requisitadas actrizes francesas da actualidade, regressa numa comédia francesa de Pierre Salvadori bastante divertida, apoiada num humor inteligente e natural decorrente das próprias situações e das características intrínsecas das personagens.

A história de uma sentida carta de amor anónima recebida por Emilie (Audrey Tautou). Uma carta que acaba por gerar demasiadas complicações, na medida em que a é aproveitada para ajudar a sua deprimida mãe (Nathalie Baye) a ultrapassar o abandono do marido. O seu remetente, Jean (Sami Bouajila), que é empregado no salão de cabeleireiro de Emilie, acaba por ser envolvido nas confusões que a carta despoleta e a partir daí o humor surge naturalmente.

Se este triângulo de protagonistas não desilude o público, as personagens secundárias também ganham algum destaque no decorrer da acção. As interpretações são bastante consistentes e levam o público a acreditar nas verdades (e nas mentiras, também) das personagens. Os locais por onde se desenrola a acção são também eles marcados por uma naturalidade, numa simplicidade que aproxima o público aos espaços e à própria narrativa. Um balanço bastante bem conseguido entre os momentos de tensão e de descompressão, de nervos e risos. O espectador sente-se envolvido na teia da história e segue naturalmente o seu ritmo.

O filme só chega ao grande ecrã português a 5 de Janeiro de 2012, mas tem tudo à partida para se tornar um sucesso de bilheteiras. Uma dose equilibrada de humor servida por meio de imagens que não deixam de soltar gargalhadas (nem ao mais sisudo espectador).

O segundo dia terminava deste modo em alta, mostrando ao público nacional um bom exemplo daquilo que se faz no campo do humor cinematográfico em França.