Foi em grande que começou a 12ª Festa do Cinema Francês, no dia 6 de Outubro, com a apresentação em Lisboa, de não um, mas dois filmes mudos: o mítico Le Voyage dans la Lune, de Georges Méliès e o recente The Artist, de Michel Hazanavicius, que encheram a sala do Cinema São Jorge.

LES VOYAGE DANS LA LUNE – 7/10

Dos primórdios do cinema, realizado em 1902, surge uma versão restaurada da única cópia a cores hoje existente de Le Voyage dans la Lune, de Méliès, “uma das primeiras experiências de ficção científica” jamais realizada. Esta nova versão conta ainda com a colaboração do grupo francês de música contemporânea Air, que elaborou uma banda sonora para o filme.

O filme de 16 minutos conta a história de um grupo de cientistas, que decide partir à descoberta da Lua, numa nave espacial. Uma vez chegados, deparam-se com as estranhas criaturas que lá habitam e decidem partir rapidamente. O seu regresso é amplamente festejado por todos. Mais que o seu enredo, importa sublinhar as técnicas inovadoras que foram utilizadas para a época e a importância do restauro de uma obra mítica.

THE ARTIST – 7.5/10

httpv://www.youtube.com/watch?v=qhAKfLDXwtM

The Artist, mudo, mas, ao contrário do filme anterior, a preto e branco, pretende ser uma homenagem ao cinema mudo, retratando a Hollywood do fim dos anos 20, início dos anos 30. Foi apresentado no Festival de Cannes deste ano, no qual o actor principal, Jean Dujardin, ganhou o prémio de melhor actor.

Conta a história do actor George Valentin (Jean Dujardin), que em 1927 é uma celebridade do cinema mudo, e cujos filmes enchem todas as salas de cinema. Com o aparecimento do cinema sonoro, perde destaque e a sua carreira começa a destronar-se. As luzes da ribalta viram-se para novos actores, tais como Penny Miller (Bérénice Béjo), uma jovem em ascensão, que conseguiu o seu lugar na sétima arte graças a Valentin.

Um filme ao mesmo tempo cómico e comovente, que brinca com os clichés da época e que se apresenta como uma reinvenção do mudo a preto e branco. É sem dúvida uma obra muito bem conseguida, com desempenhos muito característicos e merecedores, sem qualquer dúvida, de distinções, como a que foi atribuída a Jean Dujardin, num festival tão prestigioso como é Cannes.

A Festa começa em grande, com duas propostas de qualidade reconhecida e merecedoras de uma sessão de abertura com casa cheia!