Estreou uma das mais emblemáticas óperas de Verdi. Don Carlo inaugurou ontem (dia 8 ) a temporada lírica do Teatro Nacional São Carlos sob a direcção musical de Martin Andre.

A versão original a cinco actos teve a sua estreia no Théatre Impérial de l’Opéra em 1867, sendo depois adaptada em quatro actos, originando a versão agora proposta, estreada na  Scala de Milão em 1884. Com libreto original em francês de autoria de Camille du Locle e Josph Méry, baseia-se na peça ‘Don Carlos, Infante de Espanha’ de Friedrich Schiller, contando-nos as desfeitas do Príncipe das Astúrias, Carlos, personagem real que viveu entre 1545-1568. Elisabeth de Valois, encarnada agora por Elisabete Matos, apesar de apaixonada pelo Infante casa-se com o rei Filipe II de Espanha, Enrico Iori, por condição do tratado de paz assinado entre as casas Habsburgo e Valois após a Guerra Italiana de 1551-1559. A interpretação conta ainda com Giancarlo Monsalve como D. Carlo e Dimitri Platanias a Rodrigo, o Marquês de Posa.

A primeira estreia da obra de Giuseppe Verdi em Portugal data de 21 de Dezembro de 1871, no mesmo local onde hoje entra em cena, então designado de Real Teatro São Carlos. Esta é considerada uma das propostas fortes para a nova temporada do São Carlos. A encenação ficou a cargo de Stephen Langridge marcando o reencontro de Elisabete Matos com o público português desde do ano passado com ‘Les Nuits d´Été’ de Berlioz.

Martin Andre assumiu em agosto de 2010 a direção artística do S. Carlos substituíndo o alemão Christoph Dammann, tendo confessado que “todas as temporadas devem ter Verdi e Mozart, compositores basilares do repertório lírico”, acrescentando, “O Don Carlo não era apresentado no São Carlos desde 1977, é com grande satisfação que iniciamos a programação com esta produção de nível”.

A não perder futuramente ainda na mesma casa temos a promessa de mais música portuguesa contemporânea, a presença da Orquestra Gulbenkian e a estreia de uma nova grandes produções de ópera como “Così fan tutte“, de Mozart, “Madama Butterfly“, de Puccini, e “Don Pasquale“, de Donizetti.