O Prémio Nobel da Literatura fica este ano em casa. Tomas Tranströmer, poeta e tradutor sueco, é o grande vencedor do galardão, que anualmente distingue os escritores que deram os melhores contributos no campo literário.

O anúncio foi feito hoje em Estocolmo, pela Academia Sueca. Diz esta entidade que Tomas Tranströmer é “um dos poetas vivos mais traduzidos em todo o mundo”, tendo as suas obras escritas em mais de 30 línguas. “Através das suas imagens translúcidas e condensadas, ele dá-nos um novo acesso à realidade”, acrescentou a academia.

Tranströmer, de 80 anos, lançou-se no mundo da poesia com 23, quando publicou o primeiro livro, 17 dikter (17 Poemas). Depois desse seguiram-se mais 18, sempre inspirados nos mesmos temas: a morte, a História, a memória e a natureza. Em Portugal os poemas de Tomas estão representados em duas colectâneas, uma delas intitulada 21 Poetas Suecos e editada pela Vega em 1981.

Mas a vida deste poeta não se fez apenas de poesia. Tomas dedicou-se à psicologia e exerceu a profissão até 1990, ano em que sofreu um AVC e perdeu as faculdades motoras e a capacidade de falar. Depois desse incidente, publicou ainda mais três obras.

É um prémio muito merecido”, considerou hoje Vasco Graça Moura, em declarações à agência Lusa. Para o poeta português, Tomas Tranströmeré o maior poeta sueco vivo” e a sua obra “tem uma grande força lírica e preocupação social”.

Tranströmer era candidato ao Nobel desde 1973, mas só este ano viu o seu trabalho reconhecido com o galardão máximo da literatura. Talvez por isso foi apanhado de surpresa. “Ele estava a escutar música”, referiu Peter Englund, o secretário da Academia Sueca que telefonou a Tomas para contar a novidade, acrescentando que o poeta não estava à espera de vencer o Nobel.

Com a atribuição do galardão ao poeta sueco, esta é a primeira vez em 40 anos que o Nobel da Literatura fica em casa.