O cineasta egípcio Ibrahim El-Batout está a realizar um filme sobre a Primavera Árabe, inspirado nas manifestações que decorreram na Tunísia, no Egipto e na Líbia e que puseram fim aos regimes ditatoriais em vigor.

O anúncio foi feito pelo realizador na passada terça-feira, no Brasil, durante um debate sobre a importância das redes sociais na mobilização de manifestações. “No dia 10 de Fevereiro, resolvi que faria um novo filme ali, na própria praça Tahir [Egipto]. A minha função como cineasta não é retratar a revolução, mas pelo menos fazer um filme da forma que ela permitiu”, revelou Ibrahim El-Batout, que não avançou, contudo, quando estará pronta a sua nova produção.

Durante o debate, intitulado Jornalismo Cidadão, discutiu-se o papel das redes sociais na organização de manifestações na Tunísia, no Egipto e na Líbia, os três países que este ano transitaram para um regime de liberdade em virtude de uma onda de protestos populares. Chegou-se à conclusão que páginas como o Facebook não foram responsáveis pelas revoltas da Primavera Árabe, mas que foram fundamentais para a mobilização dos manifestantes.

A propósito da repressão dos antigos regimes, El-Batout fez questão de lembrar os tempos – não muito distantes – em que precisava de esconder mensagens políticas nos seus filmes, dando como exemplo o drama Hawi, de 2010.