Saídos da vaga de Indie Rock britânico que invadiu o mundo nos anos 00, e seguindo a linha traçada por grandes bandas como The Libertines ou Arctic Monkeys, os The Kooks são um grupo vindo de Brighton, Inglaterra, e que conta já com três discos de originais lançados. O mais recente LP, Junk of the Heart, chegou às lojas em Setembro deste ano, sucedendo ao muito aclamado Konk (2008), e será hoje analisado aqui. 

Apesar de não ser um fervoroso fã do grupo, confesso que gosto do som dos The Kooks, e isso deve-se aos seus dois primeiros discos, Inside In/Inside Out (2006) e Konk, que mostram uma sonoridade Indie Rock bem agradável, que me entrou muito bem no ouvido. As expectativas para o terceiro LP ficaram, por isso, bem elevadas. E é com muita pena que digo que me senti ligeiramente defraudado quando ouvi este Junk of the Heart, que apesar de não ser um mau álbum, soou-me inferior ao que os The Kooks já criaram no passado.

Logo na primeira audição, uma coisa é bem notória; em Junk of the Heart, os The Kooks optaram por uma mudança para uma sonoridade claramente mais Pop. Se antes tínhamos um grande número de canções dominadas pelas guitarras rasgadas de Hugh Harris, neste terceiro LP do quarteto britânico assistimos a uma predominância de canções mais calmas e acessíveis.

Vi-me também surpreendido com alguma “deriva experimental” dos The Kooks neste Junk of the Heart num par de faixas, que mostram o grupo a enveredar por sons que não lhe são típicos; um arranjo de cordas clássico em Time Above the Earth e uma experimentação com a Electronica em Runaway. Devo admitir que estas duas faixas apanharam-me totalmente de surpresa, mais pelo factor de “novidade” do que pela qualidade propriamente dita.

Também na produção, a cargo do já repetente Tony Hoffer, assistimos a uma escolha por um som mais Pop, polido e límpido, que contrasta com a abrasividade a que os The Kooks nos habituaram no passado. Apesar desta nova faceta do grupo não me soar mal, confesso que sou mais fã da sonoridade “antiga” dos The Kooks. Não que seja contra a variedade e a inovação nos grupos, mas este Junk of the Heart pareceu-me bastante mediano, com uma qualidade muito aquém do que tinha sido habituado pela banda.

Contudo, nem tudo está diferente nos The Kooks. Se na música há alterações substanciais, nas letras o grupo mantém os temas light que caracterizaram os dois primeiros discos da banda. Também na voz, Luke Pritchard continua a cantar com o seu jeito tão próprio. Estas continuidades decerto irão acalmar alguns dos fãs do grupo, apesar de serem as únicas características que se mantêm inalteradas nos The Kooks.

Ao escolher as minhas faixas favoritas de Junk of the Heart, devo assinalar a alegre faixa-título Junk of the Heart (Happy), a simples e bela Petulia ou a minha favorita, Is It Me, a canção mais pujante de todo o disco, que faz lembrar o som clássico dos The Kooks. As piores, a meu ver, são Taking Pictures of You, Time Above Earth ou Mr. Nice Guy, peças que infelizmente não me conseguir apelar minimamente.

Em suma, Junk of the Heart é um disco bom, mas falha em manter o nível de qualidade a que os The Kooks já nos habituaram. Apesar da música não ser muito má, certamente não é a direcção que esperava (e que muito menos queria) que a banda tomasse, e creio que esta nova sonoridade não é o melhor percurso para o quarteto. Fica-se à espera de melhor para a próxima, mas até lá, este terceiro LP vai servindo.

Nota Final: 7,1/10