Formados em 2006, os The Drums surpreenderam o mundo da música com o seu disco de estreia, o homónimo saído em 2010, que continha uma viciante combinação de sonoridade Indie Pop britânica dos anos 80 (olá, The Smiths) com uma estética Surf Rock dos anos 60 (olá, The Beach Boys). Depois de terem conquistado tanto a crítica como o público, os The Drums chegam-nos agora com o seu segundo LP, Portamento, lançado a 2 de Setembro, e que será o alvo da review de hoje. 

Não vou mentir, The Drums foi um dos meus discos favoritos de 2010, devido  à sua sonoridade descontraída e alegre, a contrastar com letras por vezes melancólicas. Fiquei, por isso, fã do grupo de Jonathan Pierce, e ao saber que a banda iria lançar um segundo registo, a expectativa começou a crescer. E apesar de achar que Portamento não supera o seu antecessor, a verdade é que este álbum não me desiludiu, muito pelo contrário.

Se há coisa que é bem visível em Portamento, é a continuidade do som que os The Drums nos mostraram no álbum homónimo. Pierce e companhia optam por repetir a dose do sucesso, e isso é claramente um ponto positivo para este disco. É certo que se nota um maior uso de sintetizadores e uma maior influência da Electronica, cujo ponto máximo é atingido em Searching For Heaven. No entanto, é seguro dizer que, no essencial, a sonoridade base dos The Drums mantém-se na Indie Pop a que nos habituaram.

Também assistimos a uma continuidade nas letras, que se mantém num equilíbrio entre os temas juvenis e solarengos, e os melancólicos e penumbrosos. Ao nível da produção, mais uma vez, vemos o mesmo que em The Drums: uma estética muito Surf Rock, com muito reverb, e um delicado balanço entre o polido e o cru, que me agradou bastante.

Contudo, também existem pontos fracos neste Portamento. O mais óbvio é, para mim, a inconsistência na qualidade das canções. É certo que a maioria das faixas é de grande categoria, mas, em algumas ocasiões, surgiram algumas peças que me pareceram pouco trabalhadas e de nível inferior. Não que seja um defeito gritante, mas neste departamento, os The Drums poderiam ter-se esforçado um pouco mais.

Outro defeito que se pode apontar a este segundo LP da banda é a falta de coesão no disco. Não digo que todos os discos devam ter uma linha conceptual única, mas a verdade é que, enquanto que na primeira parte do disco temos um caminho muito sólido e bem definido, na segunda metade de Portamento já não vemos isso, tendo, pelo contrário, canções que contrastem por completo ao nível da sonoridade. Não sendo uma falha grave, fica aqui o reparo.

Como pontos altos deste disco, devo destacar a angustiada Days, a mexida e primaveril Money, e a minha faixa favorita, a sombria e maravilhosa If He Likes It Let Him Do It. As canções menos conseguidas são, a meu ver, I Don’t Know How to Love, Searching for Heaven e In the Cold, peças muito menores num disco recheado de belas músicas.

Concluindo, Portamento pode não conseguir superar o seu antecessor, mas não deixa de ser um disco muito bom, que com certeza irá alegrar os fãs dos The Drums. Apesar das falhas, o que sobressaí neste álbum são as suas canções despreocupadamente Indie Pop, vindas de uma banda que conseguiu conquistar-me novamente. Agora, espero que o grupo de Jonathan Pierce saiba dar seguimento a estes dois belíssimos LP’s. Mas até lá, vou ouvindo este delicioso Portamento.

Nota Final: 8,2/10