O penúltimo dia do MOTELx 2011 foi mais uma das provas da variedade de filmes dentro do âmbito do festival. Confessions, Dream Home, The Woman, The Corridor e The Shrine foram alguns dos filmes apresentados durante o dia e a noite de Sábado no Cinema São Jorge. O Espalha-Factos teve a oportunidade de assistir à curta-metragem portuguesa Linhas de Sangue e à longa-metragem nacional O Barão, bem como ao americano Mother’s Day.

O Barão – 9/10

Depois de, em Maio, ter passado pelo IndieLisboa, foi agora o MOTELx que recebeu O Barão com sessão esgotada. O realizador Edgar Pêra e o actor Nuno Melo marcaram presença, respondendo a algumas questões no final do filme.

Uma equipa de filmes série B refugiou-se em Portugal durante a segunda Guerra Mundial. Em 1943, a produtora Valerie Lewton casou com um actor português que lhe traduziu o conto de Branquinho da Fonseca, O Barão. O ditador ouviu falar do filme que se estava a preparar e ordenou a sua destruição.

A equipa foi repatriada e os actores deportados para o campo de concentração do Tarrafal, onde vieram a morrer mais tarde. Em 2005, nos arquivos do Cineclube do Barreiro foram encontradas duas bobines e o argumento do filme. Nos cinco anos seguintes, o filme foi restaurado e refilmado, tendo tido a sua primeira exibição este ano.

O Barão é um filme completamente diferente do que foi feito até agora por cá. Consegue ter em si uma grande simplicidade e, ao mesmo tempo, ser um espectáculo visual, pelas suas imagens a preto e branco, planos sobrepostos e lembrar os cenários do cinema expressionista. O texto é o outro factor do brilhantismo deste filme, que pode ter sempre dois sentidos, e o trabalho da direcção de fotografia de Luís Branquinho é fantástico, bem como o desempenho dos actores, em especial o do Barão Nuno Melo. A banda sonora está a cargo das Vozes da Rádio e é mais um ponto a destacar.

Quer se goste ou não, certo é que é impossível ficar indiferente a este filme de Edgar Pêra, que traz ao público português um “terror castiço” muito pouco comum.

Linhas de Sangue – 5/10

Aproveita-se o elenco de Maternidade, exibida pela RTP, e cria-se uma clínica completamente alternativa e com um toque bastante divertido. Esta curta-metragem de Manuel Pureza e Sérgio Graciano foi apresentada como uma introdução daquilo que se poderá tornar num filme de longa duração. Uma história sem grandes desenvolvimentos ao nível da trama narrativa mas que consegue soltar uma risada da plateia em várias situações. Pode ser que com os restantes capítulos a história ganhe outra vitalidade.

Mother’s Day – 9/10

Choque é o sentimento que percorre os espectadores do princípio ao fim deste filme de Darren Lynn Bousman. Uma história forte e única que se destaca pelo suspense constante – a história de duas famílias que se cruzam de uma forma bastante imprevista. Depois de um assalto fracassado e com um deles feridos, três irmãos dirigem-se para a casa da mãe, mas encontram-na ocupada por estranhos. A mãe tinha sido despejada e os indesejados visitantes não têm outra opção senão fazer reféns.

O remake do original de Lloyd Kaufmann aposta, segundo a própria organização do MOTELx, em personagens ainda mais desconcertantes para o espectador. Uma boa surpresa no festival por fugir aos estereótipos do género e apostar num ‘terror de pressão e incerteza’ face ao que irá acontecer.

Com interpretações a tocar a excelência, de bastante credibilidade para quem assiste, o destaque a este nível vai para Rebecca De Mornay, que interpreta a mãe dos referidos assaltantes. A matriarca parece à primeira vista ser o elemento que vai resolver todas as complicações, com o seu ar angelical e imaculado, mas acaba por se mostrar uma vilã da pior espécie, não mostrando ter qualquer tipo de escrúpulos para alcançar os seus objectivos.

As histórias e os segredos mais inesperados são descobertos e as surpresas são constantes. Definitivamente, um filme que mexerá com quem com ele se cruzar.

A noite, que na sala 2 começava às 18h30, contou com muita diversão de aterrorizar. Nesta edição, o MOTELx presenteou os seus hóspedes com jogos de terror que se prolongaram pela madrugada, até às 05h00. Jogos de tabuleiro, de miniaturas e role playing games, onde o terror estava sempre presente, encheram a sala 2 de jogadores durante toda a noite. A Noite de Jogos de Terror foi organizada em parceria com o Clube de Jogos – Carnide, que tem a missão de promover e divulgar iniciativas relacionadas com estes três tipos de jogos, destinado a um público de todas as idades.

Também durante a noite, a sala 3 foi palco da maratona de The Walking Dead. A primeira temporada da série de Frank Darabont, apresentada em Portugal na FOX, foi exibida na íntegra. Terminava deste modo o dia que antecedeu o dia de encerramento do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa.

por Inês Moreira Santos e Wilson Ledo