O Espalha Factos esteve à conversa com algumas das bandas e projectos portugueses que participam na edição deste ano do FMI – Festival de Música Independente, a decorrer de 16 a 18 de Setembro em Braga. Hoje é a vez Gobi Bear, que actua no primeiro diaLê aqui a entrevista.

Espalha Factos: Primeiro de tudo, para aguçar a curiosidade dos nossos leitores, a partir de quê escolheste o nome Gobi Bear para o teu projecto?

Gobi Bear (Diogo Alves Pinto): É fácil gostar de ursos e eu gosto de ursos. Não há nenhuma grande e bonita história por trás do nome. Escolhi-o muito também por causa da forma como soa: ouço as palavras Gobi Bear de uma forma muito colorida e divertida.

EF: Como surgiu o interesse e a paixão pela música? A partir de quando é que pensaste algo do género “Música, humm… vou ver o que posso fazer com ela?”

GB: Sempre gostei de música de uma forma muito eclética. A vontade de tocar música surgiu de uma forma natural, com amigos, no secundário. Uns amigos tinham uma banda e comecei a dar uns toques na guitarra e a tocar com eles, uma coisa muito casual.

EF: Como surgiu este projecto one-man band?

GB: No primeiro ano da universidade peguei na guitarra e numas coisas que tinha escrito e construí pela primeira vez uma canção minha, só minha. Comecei a trabalhar noutras canções e a pensar em fazer alguma coisa com elas: gravá-las, tocar para pessoas, uma coisa mais “séria”. Nessa altura não pensava ser eu a cantar e cheguei mesmo a procurar um/uma vocalista para cantar o que eu escrevia. Entretanto, para as mostrar, era eu que as cantava e alguém me perguntou porque não mantinha esse formato de cantautor. Mais gente perguntou o mesmo e cedi à pressão, suponho.

EF: Sei que estás envolvido em mais dois projectos: O Doido e a Morte e integras o conjunto de projectos de A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria. Sentes algum reconhecimento devido a isso?

GB: O Doido e a Morte começou em Coimbra no final de 2010 e não tem identidade. Passa mais pela experimentação do que qualquer outra coisa. Tanto de instrumentos como de pessoas. Durante este Verão passamos a ser três, quando o André Abrantes se juntou à banda. Ainda vamos gravar e lançar o que compusemos com ele, estamos muito satisfeitos. Em Setembro, voltámos a ser só dois. Não sinto particular reconhecimento, porque não são sequer projectos relacionáveis, é acima de tudo uma forma de nos divertirmos e brincarmos com processos de criação. Com A Música Portuguesa a Gostar dela Própria é completamente diferente. Foi um enorme prazer poder contribuir tanto com Gobi Bear como com O Doido e a Morte e ajudar o Tiago Pereira nesse projecto maravilhoso. E tendo em conta a visibilidade já alcançada, é difícil não sentir algum reconhecimento a partir daí. Foi uma colaboração muito feliz.

EF: Quais as tuas principais inspirações e influências?

GB: Algumas das minhas influências (vou falar apenas de músicos, mas o cinema e a literatura são, também, grandes fontes de inspiração) são os Eels, Bon Iver, José Mário Branco, José González, Sérgio Godinho e The Velvet Underground.

EF: Como foi a experiência de gravares o teu 1º demo?

GB: Gravar o 1º Demo foi uma experiência muito tranquila. As canções estavam feitas e queria lançá-las, então gravei tudo na minha casa em Coimbra. Toco os instrumentos todos e o André Costa (O Doido e a Morte) e o Luís Wood (Cornalusa) ajudaram na gravação da D. Lloyd, 1980 e da Caroline, respectivamente.

EF: Por falar no teu 1.º demo, qual foi a fonte criativa para a sua composição?

GB: Em relação à composição, as canções foram surgindo, entre muitas outras. Acabei por juntar estas por uma questão cronológica. A fonte criativa não é, portanto, uma só. Posso destacar cinema, desgostos amorosos e viagens.

EF: Qual a tua atitude perante a música que fazes?

GB: A minha atitude perante a música que faço é extremamente desportiva. Tem sido óptimo fazer canções e receber feedback positivo de pessoas que não conheço. Surreal, até. Mas tenho algum receio de me começar a levar demasiado a sério. A música liga as pessoas e quero continuar a encará-la de uma forma inocente, acho que é aí que quero chegar.

EF: Agora num tom mais sério, como músico em revelação e em crescimento, qual a tua opinião quanto ao processo de integração das novas bandas no panorama musical nacional?

GB: Actualmente, não vejo nenhuma complicação na integração de novas bandas no panorama musical nacional. Não têm faltado apoios de vários campos e o interesse por parte do público tem vindo a aumentar. Acho isso óptimo. Ouve-se mais, descobre-se mais, e os artistas podem crescer mais e mais facilmente.

EF: Como vês a oportunidade de tocar noFestival de Música Independente? Achas que poderá ser uma rampa para o reconhecimento deste projecto?

GB: O FMI é muito maior que eu. Não esperava a oportunidade de lá tocar e estou por isso muito entusiasmado. Se será uma rampa de lançamento ou não, logo se verá. Até agora tem-me dado boas oportunidades e se assim continuar, ficarei muito feliz.

EF: Quanto ao tempos que aí vêm, muitos planos para o futuro de Gobi Bear?

GB: Em relação a planos para o futuro, não faço muitos, vou deixando as coisas acontecer. Tenho o segundo EP preparado e gostava muito de o gravar e lançar ainda antes do final do ano. Entretanto, darei um concerto aqui e ali. Veremos como as coisas correm.

httpv://www.youtube.com/watch?v=jWrDXN8vYmo

Entrevista realizada por Fernando Cardoso

Créditos Fotográficos: Rita Sousa Vieira