O segundo dia da quinta edição do MOTELx chegava na quinta-feira, dia 8 de Setembro, e com ele trouxe películas do género cinematográfico capaz de deixar em pele de galinha quem assistiu às sessões.

Para além das habituais curtas, foram várias as longas-metragens que encheram de espectadores as salas do Cinema São Jorge em Lisboa. The Shrine, Strange Circus, Kidnapped, Prey, Who R U?, Cartas de amor de uma freira portuguesa e Little Deaths foram alguns dos filmes que passaram pelas várias salas do espaço, num dia cujo principal destaque ia para Hostel de Eli Roth.

Who R U? – O Poder da Mente –  8/10

A Tailândia trouxe uma boa surpresa a esta 5ª edição do MOTELx. Do realizador Phakpoom Wongjinda, Who R U? conta a história de Nida e do seu filho Ton, um rapaz com uma doença rara chamada Hikikomori, que se traduz na incapacidade total de sociabilizar. O jovem está há cinco anos fechado no quarto e apenas comunica com a mãe através de bilhetes por baixo da porta. O estranho comportamento de Ton desperta a curiosidade de todos aqueles que conhecem a sua história e deixa a dúvida: É mesmo Ton quem está no quarto? Em Who R U? o mistério reside do início ao fim e o próprio espectador dará por si dentro do filme como mais uma das personagens que vão formulando mil e uma teorias para o comportamento do rapaz.

A força da mente é uma questão muito presente e que se revela fundamental neste filme (chegando mesmo a ser surpreendente) e é nessa ideia que assenta a seita onde Nida se refugia dos problemas com o filho. De destacar também é o paralelismo que pode ser estabelecido entre Ton, que não sai do quarto há cinco anos, e a sua amiga e vizinha da frente, que quer sair, mas cujas alergias incuráveis não a deixam. Dois casos diferentes, mas, ao mesmo tempo, com muito em comum.

O final de Who R U? faz jus à qualidade que foi demonstrando ter e irá perturbar quem quer que o assista. Este filme, que se apresenta como algo de diferente do que se tem visto nesta edição do MOTELx, conquistou a sala que não se poupou em aplausos.

Banana Motherfucker – 8/10

Quem disse que era impossível aliar o humor ao terror? Quem o fez estava certamente muito enganado. A prova disso é a curta-metragem de Pedro Florêncio e Fernando Alle que promete soltar grandes gargalhadas ao espectador. Uma excelente surpresa e um dos fortes candidatos à vitória. Não há quem consiga ficar indiferente a esta história de uma expedição que acaba por despoletar uma maldição antiga, protagonizada por (imagine-se) bananas.

Hostel – 7/10

Apresentado como “a obra mais influente do terror norte-americano do século XXI”, o clássico Hostel, chegado ao público pela primeira vez em 2005, de Eli Roth arrepia o espectador pelo grau de pormenor em que são mostradas cenas de tortura a humanos.

A princípio, o filme não dá qualquer indício daquilo em que se tornaria no ponto alto da acção. Num mistério constante, o espectador é desafiado a testar os seus próprios limites e a confrontar-se com imagens nunca antes vistas. Não se procura o cliché dos filmes de terror, mas sim aprofunda-se uma dor emocional e física perturbadora.

A história retrata a viagem de três jovens à Eslováquia, a conselho de um estranho que lhes promete que lá terão o melhor sexo da sua vida. A partir daí, os jovens caem na armadilha que lhes foi montada e os desaparecimentos sucedem-se. O terror e a pressão instalam-se no ecrã e o espectador deseja fervorosamente que haja pelo menos um ‘final feliz’ para algum deles. Se pudéssemos alterar o ditado para descrever este filme seria algo do género ‘Olho por olho, dedo por dedo’.

A destacar nesta quinta-feira de MOTELx é a visita de Eli Roth, o realizador que visita pela primeira vez Portugal. Roth, em conversa com o público no início da sessão, mostrou estar muito feliz por estar em Lisboa e por o seu filme integrar o festival. Ao encerrar o seu discurso, mostrou-se bastante curioso por assistir à curta que antecedia a exibição de Hostel, de seu nome Banana Motherfucker.

Um dia repleto de boas surpresas, assim se pode definir a quinta-feira do MOTELx.

Por Wilson Ledo e Inês Moreira Santos.