O crítico literário do Expresso e blogger do bibliotecariodebabel.com José Mário Silva vai dinamizar uma Grande Oferta de Livros aberta ao público, a 24 de Setembro, a partir das 11 horas, no Miradouro do Monte Agudo, em Lisboa.

A julgar pelo sucesso que esta acção já teve no ano passado, na sua primeira edição, poderemos agora esperar nova fornada de centenas de livros de “alta qualidade” à espera que alguém lhes pegue. O Espalha-Factos foi falar com José Mário Silva para perceber melhor como se irá desenrolar a iniciativa.

Espalha-Factos: Porquê uma segunda edição da Grande Oferta de Livros Bibliotecário de Babel?

José Mário Silva: Por duas razões. Primeiro, a edição do ano passado correu muito bem e eu tinha deixado a promessa de repetir este ano, de preferência ainda com mais livros, mais participantes e talvez até trocas entre os leitores que apareçam no miradouro. Segundo, o motivo inicial (excesso de livros nas minhas estantes) permanece, pelo que se impunha outra “colheita”.

Espalha-Factos: A sua casa é demasiado pequena ou ser crítico literário obriga a um consumo exagerado de livros?

José Mário Silva: A casa não é pequena nem grande, é média, um T3. Acontece que eu recebo muitos, mas mesmo muitos livros ao longo do ano, fora os que vou comprando nas livrarias. A densidade populacional nas estantes vai aumentando exponencialmente, até que se impõem medidas drásticas de controlo demográfico da livralhada.

Espalha-Factos: Considera esta iniciativa importante em altura da afamada “crise”?

José Mário Silva: Com o pretexto da crise, eu podia vender estes livros nos alfarrabistas, ou na Feira da Ladra, e ainda fazia bom dinheiro. Acontece que sou incapaz de tirar lucros de livros que, na sua grande maioria, me foram oferecidos pelas editoras. Por isso, ofereço-os a quem tenha espaço e vontade de os ler. É uma espécie de retribuição. E fico contente por saber que os livros vão ser bem estimados, por pessoas que gostam de ler. Se além do mais isto permitir que os participantes poupem alguma coisa, em tempo de crise, melhor ainda.

Espalha-Factos: Pode dar exemplos de títulos que sejam da sua preferência e que irá oferecer?

José Mário Silva: Neste momento, as pilhas de livros vão crescendo, encostadas a uma das paredes da casa. No meu blogue, à medida que for fazendo a escolha, colocarei listas com alguns dos livros a oferecer. Quem estiver atento, já saberá com o que pode contar. Mas posso garantir que a maioria dos livros a oferecer são obras de grande qualidade, que se eu tivesse mais espaço continuariam a fazer parte da minha biblioteca. Não são restos, não são monos, não são pesos mortos de que me quis livrar. Muito pelo contrário.

Espalha-Factos: O que recomenda trazer para o encontro, para além de ténis confortáveis?

José Mário Silva: Boa disposição, gentileza e bom senso. A ideia é que cada pessoa escolha um máximo de cinco ou seis livros, para não haver açambarcamentos que esgotem o stock num quarto de hora, como aconteceu o ano passado. Não seria justo que os leitores que se atrasem um bocadinho já não tenham direito a nada. Espero ainda que as pessoas desfrutem da magnífica vista de Lisboa que o Miradouro do Monte Agudo oferece e que convivam umas com as outras. Sabe-se lá que amizades à volta dos livros não poderão nascer no dia 24.