O MOTELx abriu portas esta quarta-feira no cinema São Jorge, em Lisboa, prometendo aos seus hóspedes cinco dias de muito terror. Este primeiro dia contou com a projecção do filme Troll Hunter, de André Øvredal, na sessão de abertura (que já se encontrava esgotada a meio da tarde) desta edição do festival internacional de cinema de terror de Lisboa.

Este primeiro dia de evento contou ainda com os filmes We Are What We Are, de Jorge Michel Grau, The Ward, de John Carpenter, Mother’s Day, de Darren Lynn Bousman, Frozen, de Adam Green, e Suicide Club, um dos filmes que compõem a retrospectiva do trabalho do realizador japonês Sion Sono.

Frozen – 6/10

De Adam Green (realizador de Hatchet), Frozen apresentou-se na sala 3 do São Jorge com vontade de arrepiar os presentes. Um filme onde a sobrevivência entra em jogo, quando três amigos (Joe, Dan e Parker) ficam presos no teleférico de uma estância de ski, antes da sua última descida. O teleférico pára, as luzes apagam-se: os três foram esquecidos. As queimaduras causadas pelo frio e a possibilidade de hipotermia são cada vez mais uma realidade, e os jovens irão tomar medidas drásticas na luta pela sobrevivência.

Frozen tem um início que pouco faz esperar de si, mas consegue surpreender a partir do momento em que o perigo entra em jogo. O filme joga principalmente com a sensibilidade e emoções do espectador, que seguirá até ao fim o destino das três personagens e que se irá arrepiar e mesmo aterrorizar com as situações limite que irão viver. Apesar disso, Frozen conta com vários momentos cliché ou pouco credíveis.

O elenco, que conta com Emma Bell, Shawn Ashmore e Kevin Zegers, tem uma prestação interessante, em especial os dois actores. Os cenários, bem como o trabalho de fotografia, são de destacar. O fraco final deita um pouco por terra a intensidade psicológica que se construiu, e pôde ver-se que a sala esperava um desfecho um pouco mais surpreendente.

Ensinamentos para a vida adulta – 4/10

É uma das curtas-metragens portuguesas em concurso na edição deste ano, mas traz poucos factores positivos para conseguir vingar na competição. Ernesto Bacalhau assina esta curta sobre uma aula de condução que acaba de uma forma ‘inesperada’. Uma história com pouca densidade e que pouco acrescentará ao panorama cinematográfico nacional.

The Ward – O Hospício – 7/10

John Carpenter volta ao grande ecrã dez anos depois, mas parece nunca ter deixado realmente as telas de cinema – é desta forma que a organização do MOTELx caracteriza o regresso do realizador em The Ward. Um filme de terror fortemente apoiado num conceito torna-se bastante surpreendente para quem a ele assiste, não deixando contudo de trazer os ditos ‘clichés’ do género.

Uma ‘instituição psiquiátrica’ torna-se o cenário desta película que promete soltar vários sons de espanto por parte da audiência, sobretudo nos minutos finais em que todas as peças se juntam e iluminam a cabeça do espectador e o levam a compreender a complexidade da história. Estreado pelas salas nacionais nesta quinta-feira, esta é uma paragem obrigatória para os fãs do género.

     A 5ª edição do MOTELx começou assim em beleza, preparando terreno para os dias que se seguem. O convidado de honra Eli Roth marca presença na agenda do festival já esta quinta-feira com Hostel, um dos filmes mais aguardados.

por Inês Moreira Santos e Wilson Ledo