Esta semana analisamos o programa onde os candidatos a chefe de cozinha profissional são colocados perante vários desafios pensados para  avaliar a técnica e a paixão com que cozinham. Esta semana, no De 0 a 20, comentamos ainda o final de Sedução, a programação da RTP1 durante o Verão e o desempenho de Rita Pereira no Canta Comigo.

O PROGRAMA DA SEMANA

Masterchef – 17/20

Estreou em Julho a versão portuguesa do sucesso internacional Masterchef. Apresentado por Sílvia Alberto. Tudo para resultar. E nas primeiras semanas resultou. Presença constante no TOP 5 do dia, apesar de ser emitido ao Sábado (uma má escolha, diga-se a verdade), o programa lá se ia aguentando sempre à volta dos 25% de share.

Vejamos a evolução em termos audiométricos:

A grande queda regista-se no share, com os três primeiros programa cima dos 25% e os restantes sempre perto dos 20%. Depois de umas semanas de queda, conseguiu subir aos poucos e na última emissão bateu recorde de audiência (ao registar 9.3% de audiência e um share bem perto do melhor registado até agora, 26.2%).

Masterchef começou com uma fase de casting semelhante a tantos outros programas. Um a um, os concorrentes mostravam os seus dotes no mundo da culinária perante o olhar feroz do júri. As primeiras emissões foram as menos interessantes, pois tornava-se um pouco repetitivo ver concorrentes em série a prestarem provas perante o júri. Talvez um apaixonado pela cozinha goste igualmente desta fase.

Mas este programa não é feito só para essas pessoas, consegue cativar todo o tipo de público. Percebam ou não de cozinha. Porque o interessante do programa é mesmo a competição, e essa tem-se tornado cada vez mais feroz de programa para programa. A produção do programa está impecável. O genérico é fantástico, e a realização tem tido bastante cuidado, mesmo nas provas exteriores. Tal como no original, o programa é exibido em 16:9, o que torna tudo ainda melhor.

A apresentadora Sílvia Alberto assume agora uma postura mais calma, talvez mais séria, mas sem nunca perder o seu sorriso e simpatia habituais. Depois de uma série de flops televisivos (Olha Quem Dança, Febre da Dança, A Melhora Canção de Sempre, O Último Passageiro e Operação Triunfo), a nova namoradinha de Portugal não obtinha sucesso (um sucesso relativo, já que mesmo assim alguns programas não resultaram em audiência) desde 2007 com o Aqui Há Talento.

Quanto ao júri, parece-me que fori bem escolhido. Irritantes e um pouco rudes, os jurados cumprem o seu papel de ‘deitarem abaixo’ os concorrentes quando é preciso. E o público vibra com as alegrias e tristezas dos concorrentes em função das críticas e dos elogios e das boas e más disposições do júri.

O Chef Cordeiro é como o Manuel Moura dos Santos do Ídolos. Sempre a defender o que é nacional, sempre mal disposto, mas a tecer rasgados elogios quando acha merecidos. Justa Nobre, assume sempre uma postura rígida, mas ajuda os concorrentes quando eles precisam. Por outro lado é dura quando é preciso. E, por fim, temos Ljubomir Stanisic que, com o seu sotaque característico, consegue ser o que mais dicas dá aos concorrentes.

Os concorrentes têm assumido, semana a semana, uma personalidade cada vez mais vincada. A arquitecta Marta tem demonstrado que é uma das fortes candidatas à vitória, apesar de se destacar nas provas individuais. Já nas provas em grupo são outros concorrentes que levam a melhor, como o Luís, que tem sido constantemente elogiado pelo júri devido à sua capacidade metódica na cozinha.

A competição entre concorrentes também se tem acentuado. Contudo, é entre Mauro e Marta que isso se tem notado mais. O tatuador do Seixal tem demonstrado, desde o início, que Marta é uma das suas principais adversárias e tem feito de tudo para eliminá-la da competição. Enquanto isso, o júri raramente destaca os seus pratos, enquanto que Marta é elogiada quase todos os programas. Mas quem levará a melhor? Tudo pode acontecer, já que as saídas podem ser imprevisíveis neste programa.

Em relação ao original não posso fazer qualquer comparação, uma vez que não acompanhei nenhuma das edições internacionais do programa. Mas não posso deixar de fazer a relação entre Masterchef e Projecto Moda, a versão portuguesa de Project Runway que passou o ano passado na RTP1, na mesma altura do ano. Dois formatos internacionais, com mecânica semelhante, só que um virado para a moda e o outro para a culinária.

Na altura, o programa, que teve 8 emissões, terminou com 7.1% de audiência média e 21.5% de share. Até agora, as 9 emissões de Masterchef registaram 6.8% de audiência média e 23.9% de share. A audiência vai, ainda subir, com a chegada do mês de Setembro e o final das férias (viu-se na emissão de Sábado) e o share também tem tudo para, pelo menos, manter-se.

Por isso mesmo, o saldo do programa é positivo. Poderia ser melhor, se dessem a outro dia da semana, mas tendo em conta o que é habitual na RTP1 naquele horário, e tendo em conta que estamos em pleno Verão, Masterchef tem-se portado bastante bem! Vamos aguardar pelos 5 últimas emissões do programa (que agora só regresso a 17 de Setembro) e esperar pela revelação do grande vencedor e perceber se, afinal, o programa vai ou não vingar nas audiências. Está no bom caminho…