O incontornável nome da literatura brasileira e da língua portuguesa Jorge Amado celebraria no próximo ano 100 anos e o Brasil não esqueceu este seu embaixador em todo o mundo. O ano de 2012 prepara-se para ser o ano de Jorge Amado.

A ideia é que este ano não acabe nunca”, diz Cecília Amado, neta do autor, na esperança de que ele continue a ser celebrado depois do seu centenário. Para já, diversas iniciativas por todo o Brasil relembrarão o homem e o escritor que começou desde cedo a tratar a língua, primeiro como jornalista no Diário da Bahia, aos 14 anos, mais tarde como romancista, aos 18 anos, com a sua primeira obra, O País do Carnaval.

Algumas destas acções prometem chegar a Portugal, outras ficam apenas por terras de Vera Cruz mas poderão ser, em breve, acompanhadas on-line em www.centenariojorgeamado.com.br .

Dar vida às Obras

Capitães da Areia, uma das obras mais conhecidas de Amado, está a ser  transposta para a sétima arte pelas mãos da neta do escritor. Como realizadora da obra com o mesmo nome do livro, Cecília Amado prepara um dos pontos altos das comemorações e que não ficará dentro das fronteiras brasileiras. Aliás, Portugal será um dos primeiros a receber o filme nas suas salas de cinema, em Novembro, cerca de um mês depois dos Brasileiros, que assistirão à sua apresentação, em Outubro, no Festival do Rio e nos cinemas.

A película é merecedora de sítio na Internet em www.capitaesdaareia.com.br e de participação portuguesa. Tino Navarro é co-produtor do filme e revela que o que distingue esta trama e a sua passagem ao cinema de tudo o resto é que neste, as personagens não perdem a dignidade e há, apesar de tudo, um olhar de esperança sobre as histórias contadas. “Ao contrário de outros filmes que foram sendo feitos sobre a realidade brasileira e já não têm esse olhar, que é hoje mais cínico e mais desencantado”.

Além do produtor português, também a RTP e o Instituto do Cinema e do Audiovisual deram o seu apoio a uma longa-metragem que conta com a música de Carlinhos Brown para adaptar uma história que, segundo Cecília Amado, não foi seguida à risca. “Muitas histórias estão resumidas num olhar, numa personagem.

Para além da adaptação da obra de 1937 ao cinema, está também a ser preparada a encenação de Gabriela, Cravo e Canela, de 1958, num musical de João Falcão.

Palavras e fotografias

A fotografia será também um ponto central para recordar Jorge Amado. A exposição Jorge Amado e Universal lança um olhar sobre Jorge Amado segundo quatro perspectivas: Jorge por Jorge, Jorge por Terceiros, Jorge Internacional e A Produção de Jorge. A mostra estará no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no Museu de Arte Moderna de Salvador e noutras cidades brasileiras numa viagem que se vai estender a três países estrangeiros ainda por revelar.

As memórias de Jorge Amado vão também ser complementadas com imagens suas. O livro Navegação de Cabotagem, de 1992, será publicado, pela editora brasileira Companhia das Letras, numa edição ilustrada com fotografias do escritor pela fotógrafa suíça Hildegard Rosenthal.

Também serão reveladas pela primeira vez mais de 1000 fotografias do escritor com a família em Salvador, captadas pela sua mulher, no primeiro volume de Catálogo Fotográfico de Zélia Gattai – A casa do Rio Vermelho.

Ainda nos livros, as cartas trocadas entre Zelia Gattai e Jorge Amado durante o exílio do escritor e que causaram em si “toda a saudade do mundo”, segundo o próprio, serão tornadas públicas em Agosto, numa compilação chamada Jorge & Zélia.

Por Portugal, reeditam-se as obras de Jorge Amado em novas edições da D.Quixote. À semelhança do que fez com Os Subterrâneos da Liberdade, a editora reedita, no próximo ano, os grandes clássicos de escritor brasileiro.

A celebração do grande ícone da literatura brasileira completa-se com o seu nome a dar o tema a uma escola de samba. No Rio de Janeiro, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense festeja o Carnaval, em Fevereiro, sob a égide de Jorge Amado, que é ainda tema do Carnaval de Salvador, cidade onde viveu e morreu.