Quando em 2005 os Cansei de Ser Sexy lançaram o seu disco homónimo, o mundo rendeu-se à mistura do Electroclash com o Indie Rock, que se inseriu perfeitamente na vaga do New Rave da altura. Depois de Donkey (2008) ter assegurado à banda o estatuto de “coqueluches” do Indie internacional, apesar da recepção crítica menos calorosa, chega agora a terceira obra do grupo, La Liberación, nas lojas desde 23 de Agosto, e que será hoje analisado.

Embora tenha gostado de Cansei de Ser Sexy e de Donkey, confesso que estes dois álbuns sempre me pareceram pouco sólidos, apesar do óbvio potencial ali demonstrado. Por isso, olhei para La Liberación como uma chance para os CSS de se transcenderem e surpreenderem, trazendo para a mesa um disco mais forte e coeso. Infelizmente, este terceiro LP da banda conseguiu desiludir-me, a meu ver piorando em relação aquilo que já tinham mostrado até então.

Abrindo com I Love You, pareceu-me que este disco iria ter uma vertente mais Electropop que os anteriores álbuns. No entanto, à medida que avancei por La Liberación, constatei que a sonoridade base dos CSS mantém-se no equilíbrio entre as guitarras Indie e os sintetizadores Electroclash que os caracterizou até então. Contudo, ao nível da produção, nota-se que este LP está mais polido, especialmente quando comparado com Donkey.

Ao nível das letras, estas continuam simplistas, ao bom estilo dos CSS, algo que pode desagradar a quem não é fã da banda. No que toca aos vocais, mais uma vez há continuidade: Lovefoxxx continua a cantar no seu registo muito próprio, o que decerto vai deixar os seguidores do grupo muito felizes.

No entanto, este disco não me conseguiu agradar por completo, tendo-me parecido extremamente medíocre. Um dos factores que me leva a ter uma opinião não muito boa de La Liberación é a sua heterogeneidade excessiva, que faz parecer deste disco algo extremamente bipolar. É certo que os CSS já lançaram álbuns bastante variados, mas este LP não soa a uma banda a tentar experimentar vários sons, mas sim a um grupo dividido entre dois caminhos totalmente opostos.

Também existe uma grande dualidade no departamento da qualidade. Apesar de estarem aqui grandes canções, a verdade é que, pelo menos metade do álbum, me pareceu pouco apelativo, com faixas desinspiradas, e algumas até a tocar o horrível. Isto tudo ajuda a que La Liberación seja, a meu ver, um álbum muito medíocre, e o pior dos Cansei de Ser Sexy até agora.

Como melhores canções, devo referir a juvenil Hits Me Like a Rock, a enérgica faixa-título La Liberación e a minha preferida, a brilhante Rhythm to the Rebels, que me transmitiu um feeling muito positivo. No entanto, estas faixas contrastam com aquelas que penso serem as piores do LP: I Love You, You Could Have It All e Red Alert, que fizeram de La Liberación uma experiência menos positiva para mim.

Em suma, em La Liberación, os Cansei de Ser Sexy apostam na sonoridade que os levou à fama, com quase nenhumas mudanças na “fórmula vencedora”. No entanto, não pude deixar de notar que a falta de coesão dos outros discos continua presente, e a meu ver agravada neste terceiro LP. Não sendo um mau álbum, também falhou em causar uma boa impressão, sendo assim um registo muito mediano. No entanto, se são fãs do grupo de Lovefoxxx e companhia, vale a pena arriscarem.

Nota Final: 5,9/10