Em 2003 a fruta era fresca e prometia viciar. Aquela que se chamaria Baía do Sol virou a sobremesa mais famosa da televisão portuguesa, servida pela TVI e pela Casa da Criação, em doses permanentes de cerca de duas horas diárias.

O fruto primaveril foi exportado, recriado, renovado. Oito anos depois, o sabor da sobremesa parece ter perdido o toque inicial que o distinguia das restantes frutas televisivas.

Um percurso pelas várias colheitas de Morangos com Açúcar é o menu para hoje e para mais três artigos do Espalha-Factos. Uma vez por semana, um artigo que pretende fazer o balanço de duas temporadas da série a que ninguém pode dizer que nunca assistiu (nem que seja um minuto).

SÉRIE 1

É o fruto proibido que tu vais querer provar!

Quem quer Morangos com Açúcar?

httpv://www.youtube.com/watch?v=DdmATqKI_ys

Abrem-se as portas do Colégio da Barra. Joana e Pipo apresentam-se aos portugueses como o novo casal da esperada promessa da ficção nacional. Fresca, jovem e cheia de vitalidade, Morangos com Açúcar era realmente algo de novo.

Com uma história que conseguia cativar desde os mais novos aos mais velhos, a série deixava-nos colados ao ecrã. Talvez por não tentar estereotipar uma juventude como rebelde e mal comportada e mostrar a sua complexidade emocional e das suas relações de uma forma simples.

Uma mistura mesmo no ponto entre a comédia e o drama próprio das relações na juventude e que tanto agradam o público português. Uma história de sonhos que nos fazia desejar que um dia existisse a alma de um Colégio da Barra na nossa escola.

httpv://www.youtube.com/watch?v=TWmchQf9XUg

Apesar de uma temporada escolar bastante sólida, as férias de Verão mostraram-se um pouco aborrecidas mas nada que fizesse o espectador desprender-se totalmente do projecto.

Apoiada por uma banda sonora, a série deu ao panorama da representação nacional nomes que se viriam a tornar referência e ajudou a consolidar outros nomes já conhecidos no meio que mostraram a sua versatilidade. Benedita Pereira, João Catarré, Ana Guiomar, Diogo Amaral, Filomena Cautela, Joana Solnado e Teresa Tavares são alguns dos mais bem sucedidos desta primeira colheita.

 

SÉRIE 2

Podes escolher e saborear.

É muita fruta! Morangos com Açúcar!

httpv://www.youtube.com/watch?v=iidBcP78P9M

A fórmula de sucesso regressava, acentuando os pontos fortes da primeira temporada. Simão e Ana Luísa vêm de mundos que à partida estariam para sempre separados. O Colégio da Barra abre portas a alunos bolseiros e torna-se um campo de batalha entre betos e dreads.

Uma diferença que marca toda a temporada, mas que não se torna o seu ponto principal, esbatendo-se à medida que as personagens desenvolvem as suas relações uns com os outros.

A história desta temporada estava longe de ser light. A competição e o amor entrecruzam-se e levam os protagonistas a várias situações de indecisão.

Outro dos pontos fortes da série era a personagem interpretada por Joana Seixas, a madrasta de Simão, que explorava uma abordagem de um mundo dos negócios obscuros em que não havia quaisquer escrúpulos. A vida de algumas personagens é posta em causa devido à ambição desmedida da madrasta, o que nos deixava agarrados para saber o que aconteceria no episódio seguinte.

 httpv://www.youtube.com/watch?v=4c5p7oxIbuI

Se a série escolar elevou a fasquia, as férias de Verão também não ficaram nada atrás. Um ambiente bastante descontraído e divertido ganhava a atenção do público que recorria à sobremesa mais fresca da televisão portuguesa para refrescar os seus finais de tarde.

Esta temporada lançava ainda aquele que viria a ser um dos maiores fenómenos da música nacional: os D’ZRT. A banda saltou dos ecrãs e invadiu os palcos do país.

É impossível deixar de destacar os finais épicos. Um sequestro colectivo no colégio da Barra na série escolar e o desaparecimento de Ana Luísa no deserto durante o Verão marcam os finais desta temporada. Mais do que um retrato de uma juventude inconsequente, o que Morangos com Açúcar pretendia era retratar uma juventude unida pode ultrapassar os seus problemas e alcançar feitos incríveis.

À semelhança da primeira temporada, também nesta se descobriram nomes que viriam a tornar-se autênticas referências. Cláudia Vieira, Pedro Teixeira, Rita Pereira, Dânia Neto, Mafalda Pinto e Marta Melro foram alguns dos moranguinhos que conquistaram a ficção nacional.

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A essência da série que mudava os finais de tarde dos portugueses estava mais do que presente nas duas primeiras temporadas de Morangos com Açúcar. As críticas não se fizeram tardar, mas o que viria a seguir não seria nada comparado com os feitos que as duas primeiras temporadas conseguiram alcançar. Em jeito de balanço, as duas melhores temporadas da série, a mistura bem conseguida entre a fruta e o açúcar.

Na próxima semana, o Espalha-Factos analisa a terceira e a quarta temporadas da série juvenil que há mais tempo roda nos ecrãs nacionais.