Doze anos depois de se tornar célebre, a livraria de viagens que inspirou a comédia romântica Notting Hill vai fechar. The Travel Bookshop encerra daqui a duas semanas, apesar de continuar a ser uma das maiores atracções turísticas de Londres.

Até 1999, Notting Hill era apenas mais um bairro londrino, típico e curioso, com as suas casas no estilo vitoriano. É conhecido  pelo Carnaval de Notting Hill, em Agosto, e foi já palco de diversas obras da literatura britânica. Contudo, é com o filme homónimo que Notting Hill se dá a conhecer ao mundo, inspirando-se na livraria que agora fecha as portas.

The Travel Bookshop é o local onde as personagens principais de Notting Hill se conhecem: Anna Scott (Julia Roberts), uma famosa actriz norte-americana, entra na livraria de viagens para comprar um livro sobre a Turquia, sendo atendida pelo proprietário, William Thacker (Hugh Grant). O romance desenvolve-se, apesar de tudo o que os separa, tendo sempre como fundo o pitoresco bairro de Notting Hill.

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O filme de Roger Michell, escrito por Richard Curtis, alcançou mais de 253 milhões de euros de receitas de bilheteira em todo o mundo. Para além de tornar mundialmente famoso o bairro londrino, levando a um aumento do preço das rendas das casas – e fazendo com que muitos americanos se mudassem para lá –, Notting Hill celebrizou a livraria, que depressa se tornou um local de peregrinação para os milhares de fãs da comédia, de todo o mundo.

Dentro de duas semanas, The Travel Bookshop deixará de vender os seus livros de viagens, os guias de todos os países e as biografias de exploradores que nela podem ser encontrados. Até à data de fecho, a livraria, localizada em Blenheim Crescent, fará uma ‘2 week closing sale’, procurando vender os livros das suas prateleiras a metade do preço e dando uma oportunidade a todos os locais e turistas de a visitar uma última vez.

A  notícia foi também avançada, no dia de ontem, nas páginas oficiais da livraria no Twitter e no Facebook, onde os ‘fãs’ têm demonstrado o seu desgosto. O encerramento deve-se ao facto de o proprietário da livraria (de há já 25 anos) viver em França e o filho não pretender encarregar-se do negócio familiar, não se prendendo com a concorrência das grandes cadeias e das vendas pela internet, como está a acontecer com algumas livrarias locais em Inglaterra A loja encontrava-se à venda desde Maio mas nenhum comprador se chegou à frente.

Apesar da decisão tomada, um grupo de escritores e poetas está a tentar dar a volta à situação, oferecendo-se para trabalhar na Travel Bookshop, em regime de voluntariado, um dia por semana, à procura investidores para comprarem a livraria. Entre eles encontram-se já Olivia Cole, poeta e jornalista, que lançou o desafio nas redes sociais, e o poeta Simon Barraclough, de acordo com o Kensington and Chelsea Chronicle. A campanha para salvar a icónica livraria está de pé, resta saber se a popularidade da mesma consegue despertar o interesse de um investidor.