As diferenças entre as grandes metrópoles e os pequenos aglomerados habitacionais são bem conhecidas pelo senso comum. Os arranha-céus que contrastam com as casas de traço tradicional, o fumo que contrasta com o ar puro, as multidões que contrastam com a desertificação populacional. Mas, entre esses fenómenos estatísticos, também encontramos grandes diferenças culturais: os hábitos de trabalho, as maneiras, os costumes. Em Bem-vindo ao Sul, realizado por Luca Miniero, essa diferença cultural serve de mote de partida para construir o humor da sua narrativa.

A sua própria construção vai para além da dicotomia entre cidade e aldeia, procura mesmo desmontar um forte dogma italiano que existe em relação às acentuadas diferenças entre as gentes do “norte” e as gentes do “sul”. Para tal, num piscar e fechar de olhos, damos um salto de Milão até Naples, num vai e vem intenso entre diferentes gentes e diferentes costumes.

O herói da história, Alberto Colombo, é um afincado cosmopolita e amante da sua família. Alberto trabalha como diretor de um posto de uma grande rede de correios italiana. A sua mulher, Silvia Colombo, desejosa de viver num dos grandes centros culturais da Europa, pressiona Alberto a pedir transferência para Milão. Contudo, por este não ter jogado limpo no ato da sua candidatura, é reencaminhado para uma pequena aldeia perto de Nápoles, durante 2 anos. Sozinho e desgostoso, Alberto lá embarca rumo ao sul, cedendo a alma às lágrimas. Mas a0 chegar lá, cedo teve que repensar os seus preconceitos.

É a centenas de quilómetros de casa que Alberto descobre que a vida nem sempre segue o caminho que planeamos, mas que, com algum optimismo, as coisas transformam-se naquilo que precisamos. No Sul de Itália, Alberto encontra a verdadeira amizade e compaixão humana, das gentes humildes da aldeia, para não falar, também, das suas magníficas paisagens.

Em Bem-vindo ao Sul, encontramos um excelente conjunto de atuações, aliado a um argumento seguro, sem grandes exageros humorísticos, mas com um humor de requinte, que permitem que o cenário, tanto paisagístico com cultural, seja o verdadeiro centro das atenções, o objecto cinematográfico por detrás de tudo o resto.

Num tom de comédia bastante leve e de fácil digestão, Bem-vindo ao Sul pretende criar um certo sentimento nacionalista, ou melhor, patriota, à volta das várias regiões italianas. A vinda à aldeia, o privar com gentes diferentes, de diferentes culturas e feitios, mas mesmo assim do mesmo país, faz reaproximar e aniquilar velhas rivalidades regionais.  A verdade é que o seu tom humorístico disfarça uma tentativa de reatar as relações e destruir os dogmas e preconceitos, existentes entre as regiões Norte e Sul de Itália.

Um pouco distante das comédias que estamos habituados a consumir, este contemporâneo italiano junta-se a uma panóplia de comédias europeias que procuram nas suas terras e suas gentes a fonte de inspiração para a sua arte, basta lembrar o recente filme espanhol Primos. Em Bem-vindo ao Sul  não encontramos um apogueu desse movimento, mas é, decerto, grande exemplo.

Um filme para rir e apreciar a inteligência e perspicácia do humor italiano.

7.5/10

Ficha Técnica

Título original: Benvenuti al Sud

Realizado por: Luca Miniero

Escrito por: Massimo Guadioso

Elenco: Claudio BisioAlessandro SianiAngela Finocchiaro e Valentina Lodovini

Género: Comédia

Duração: 102 minutos