Vindos da Suécia, os Little Dragon são um quarteto de Trip Hop e Electronica que começou a sua carreira em 1996. Os seus primeiros dois discos, Little Dragon (2007) e Machine Dreams (2009), foram muito bem recebidos pela crítica, que elogiou a forma como os vocais delicados de Yukimi Nagano e a mistura de géneros tão díspares como a Soul, o Downtempo ou a Synthpop se fundiam para criar uma sonoridade única. Hoje, em análise, temos o terceiro LP da banda, Ritual Union, saído a 25 de Julho.

Confesso, apenas recentemente comecei a “mergulhar” no catálogo desta banda sueca. No entanto, após algumas audições, percebi porque é que este grupo é tido em tão grande conta, tanto pela crítica como por outros artistas (prova disso é a colaboração com os Gorillaz em Plastic Beach). Ao ouvir os primeiros dois álbuns, confesso que o som dos Little Dragon me deixou num estado absoluto de relaxamento e despreocupação, e isso é algo que felizmente transita para este Ritual Union.

A voz de Yukumi Nagano, apesar de manter a delicadeza dos discos anteriores, surge aqui mais incisiva, mostrando uma faceta menos conhecida da cantora. As letras também acompanham essa evolução. Apesar de ainda haver espaço para o intimismo e gentileza de Little Dragon e Machine Dreams, aqui vemos mais angústia e amargura na escrita dos temas, uma maturidade que me agradou.

Contudo, o maior trunfo deste Ritual Union é sem dúvida o som propriamente dito. As batidas que caracterizaram os anteriores lançamentos dos Little Dragon ainda estão bem presentes, continuando a trazer à memória uns Massive Attack (particularmente da era Mezzanine). Porém, a sonoridade no seu todo vem carregada de mais sintetizadores e com um ambiente que encontra clara inspiração na New Wave britânica dos anos 80. Isto, aliado a uma produção bem equilibrada, resulta num disco que me agradou bastante.

No entanto, Ritual Union não escapa sem alguns defeitos, a começar pela falta de consistência, que  a meu ver mina a potencialidade que este disco tinha de ser uma obra brilhante. Se é verdade que neste álbum estão presentes peças extraordinárias, também não estarei a mentir quando digo que estão aqui presentes canções que não me agradaram nem um bocadinho.

Outro problema é a maneira como essas canções, para mim inferiores, estão todas concentradas no final do disco, o que faz com que estas “matem” o andamento esplendidamente construído até aí, encerrando mal o disco. Aliás, Seconds foi, na minha opinião, a pior escolha para fechar o LP, pois deixou-me a sensação de que este Ritual Union não ficou bem resolvido.

Como canções obrigatórias, indico a vibrante Please Turn, a faixa-título Ritual Union, que abre o disco muito bem, com uma evolução que desemboca num clímax sonoro incrível, ou aquela que é, a meu ver, a melhor faixa deste álbum, Shuffle A Dream, uma espectacular  música, em que o sintetizador ritmado consegue contagiar qualquer um. As piores do LP são, para mim, Nightlight, When I Go Out ou Seconds, músicas muito inferiores àquilo que já vi este grupo sueco fazer.

Concluindo, Ritual Union é uma bela obra, que mantém o nível de qualidade a que os Little Dragon nos têm habituado. Preservando a identidade musical que os distinguiu, este disco irá com certeza trazer mais fãs à banda, ao mesmo tempo que deixa os antigos seguidores felizes. Contudo, está longe de ser perfeito, tendo defeitos que o impedem de vôos mais altos. No entanto, não deixa de ser um agradável álbum de Trip Hop e Electronica, muito relaxante, que recomendo vivamente.

Nota Final: 7,8/10