Nos EUA os Ebooks (livros electrónicos) têm vindo a ganhar cada vez mais expressividade e a mostrar que são rival à altura da ainda hegemónica posição dos livros impressos. Centremo-nos nos factos: Só no início deste ano, a gigante Amazon vendeu o triplo dos Ebooks comparativamente a 2010, ao passo que, no balanço do primeiro semestre de 2011, as vendas das livrarias tradicionais americanas registaram uma taxa de crescimento nula.

Os dados são da Association of American Publishers e da U.S. Census Bureau e revelam uma tendência de mercado sentida também pela editora Penguin.

Com sucursais espalhadas pelos quatro cantos do mundo, a Penguin viu as suas vendas de livros impressos caírem 4% na primeira metade deste ano. Em sentido contrário seguiram as vendas de ebooks da editora, que cresceram 128% desde Janeiro, até Junho passado. O portal thebookseller.com consultou recentemente o CEO desta empresa, John Makinson, para que sugerisse uma explicação a esta nova dinâmica: “A rápida penetração de instrumentos e conteúdo digitais, aliada às dificuldades sentidas pelos vendedores de livros impressos, criou na indústria novos desafios sem precedentes”, referiu.

Quererá isto dizer que o comércio online de livros está-se a preparar para canibalizar o mercado livreiro? As retalhistas norte-americanas Barnes & Nobles e Borders acreditam que sim, pelo menos enquanto a legislação fiscal não for actualizada, de forma a colocar a competição entre livrarias tradicionais e as de comércio online em igualdade de circunstâncias. É que, segundo as mesmas, em alguns Estados norte-americanos, a Amazon beneficia da isenção de um imposto estatal sobre as vendas de livros (que em alguns casos chega aos 8% da facturação total). Esta situação permite que a concorrência do comércio online seja imbatível em preços, o que terá levado, inclusivamente, ao encerramento de lojas em Manhattan por parte das retalhistas supracitadas.

Ainda é cedo para tirar conclusões sobre o futuro do mercado livreiro, mas o que é certo é que os Ebooks têm-se vindo a afirmar com a força de que só a nossa época poderia permitir, uma época de veneração à tecnologia.