O jornal Guardian acaba de eleger um projecto de requalificação urbano patente na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, como uma das dez melhores obras de street art da actualidade. Na elite dos “artistas de rua” destacou-se ainda o português VHILS, com um trabalho feito em Londres, composto por dois retratos “escavados” na parede.

Quem passa frequentemente pela zona de Picoas dificilmente ficará indiferente a um edifício obsoleto de quatro andares que ganhou vida em meados do ano passado, quando os reputados artistas Blu (italiano) e Os Gêmeos (dois brasileiros) foram convocados para transformar aquele edifício em vias de ruir numa tela para o seu trabalho. O resultado foram três pinturas colossais que atravessam todo o prédio e que exprimem preocupações ambientais.

O Guardian descreve esta obra como “ilustrativa de como a arte urbana confronta problemas sociais e políticos de uma forma poderosa e directa”. Escusado será dizer que o senhor pintado a sorver a Terra de uma palhinha e com os símbolos da Galp, BP, Repsol, entre outras petrolíferas, na coroa, é uma crítica bastante clara ao desastre ambiental ocorrido no golfo do México um mês antes desta obra de intervenção tomar forma.

Alexandre Farto, o português que dá pelo nome artístico de VHILS, foi seleccionado pela técnica com que “pica” a parede para desenhar retratos, utilizando inclusivamente, em algumas ocasiões, pequenos explosivos para o efeito, tornando assim o processo de criação bastante “inovador”, tal como adjectiva o jornal britânico. “O seu trabalho foca-se na natureza transitória da cidade, na sua história e na vida dos seus habitantes”, refere o mesmo.

Entre os outros que integram o Top 10 constam Banksy (Inglaterra), Jenny Holzer (EUA), Keith Haring (EUA), Steve Powers (EUA), Swoon (EUA), JR (França), Os Gêmeos com Nina Pandolfo e Nunca (Brasil) e Sam3 (Espanha).

De notar que a obra lisboeta supracitada faz parte de um projecto extenso de requalificação de edifícios, que podem ser visitados nas seguintes localizações: Link.