A rubrica De 0 a 20 está de volta ao Espalha Factos. Agora quinzenalmente, à segunda-feira, analisamos um programa da televisão portuguesa e elegemos o melhor e o pior das duas últimas semanas. Nesta edição iremos avaliar Peso Pesado, que chegou ao fim na semana passada.

Ao longo de três meses, seis dias por semana, a SIC emitiu este programa que emocionou os portugueses. À primeira vista, as duas principais diferenças entre o Biggest Loser e o Peso Pesado é o tempo que vai desde a entrada da Herdade à grande final e o facto de, na televisão, o formato ser diário.

No primeiro caso, esta diferença poderia significar um maior insucesso no objectivo principal do programa português: perder peso. E em algumas semanas isso verificou-se. Enquanto que, na pesagem dos EUA, os concorrentes pesam-se de três em três semanas, no formato da SIC a pesagem é feita semanalmente, segundo informações dos treinadores e fisiologista da versão portuguesa. Para além disso, os concorrentes estão apenas 3 meses na Herdade, cerca de metade do tempo de permanência dos concorrentes americanos no rancho.

A segunda grande diferença poderia influenciar as audiências do programa. Por um lado, desgastar mais facilmente o formato, por outro fidelizar ainda mais os telespectadores. E se, ao fim das primeiras semanas, a primeira hipótese parecia a mais óbvia, rapidamente percebemos que Peso Pesado viria a fidelizar cada vez mais telespectadores. A partir daí, os resultados voltaram a subir e mantiveram-se constantes até ao fim, sendo o programa líder no horário em grande parte dos dias.

Neste caso, o diário foi produzido de forma coerente. Ao explorar mais os sentimentos dos concorrentes, o que não acontecia no formato original, ficámos a perceber ainda melhor as motivações dos participantes em concurso. Explorar, no bom sentido da palavra, sem abusar daquelas pessoas.

Na nossa versão do programa pudemos ainda verificar uma série de mudanças no jogo a que a produção chamou de “reviravoltas inesperadas”. Expulsões directas, novas duplas, regressos à Herdade e muitas surpresas nas Caminhadas do Poder. É certo que estas medidas permitiram ao programa ganhar um novo ritmo, o jogo tornou-se ainda mais interessante para quem assiste e a competição dentro da Herdade era cada vez mais feroz, com rivalidades cada vez mais bem definidas.

Contudo, para alguns concorrentes, estas reviravoltas foram um tanto ou quanto injustas. O caso mais flagrante aconteceu alguns dias antes da saída da Herdade, em que o concorrente Filipe acabou por ser expulso de forma directa pelo colega João. Isto, apesar do alentejano ser um dos concorrentes mais fortes. Acabou por ganhar o prémio de casa e mostrou que se tivesse permanecido na Herdade teria sido o primeiro vencedor do Peso Pesado em Portugal.

Passando para a apresentadora, Júlia Pinheiro, podemos dizer que teve altos e baixos na condução do programa. Na emissão de estreia esteve irrepreensível. Segura, directa, determinada e com uma postura mais contida do que o habitual, Júlia Pinheiro deu o seu melhor e arrasou por completo. Contudo, ao longo das 12 semanas do concurso, o recurso constante aos cartões e a notória falta de uma preparação mais cuidada sobre o desenrolar dos acontecimentos na Herdade, acabaram por trair a postura da apresentadora. Mas o à vontade de Júlia com os concorrentes nas pesagens, acabou por ‘desculpar’ estes pequenos erros durante a semana.

Um ponto bastante positivo deste programa foi a realização do mesmo. Ao contrário do que habitualmente vemos em Portugal, a edição de imagem conferiu ritmo aos diários. A verdade é que o formato ganhou por ter sido previamente gravado, pois houve tempo para um maior cuidado em termos de produção. A emissão em 16:9 de todos os programas foi uma mais valia para o programa.

E se a produção esteve bem ao longo de todo o programa, a gala final foi fantástica, superando todas as expectativas. Para começar, uma realização bem acima do habitual. Não houve momentos mortos, e os ‘enche chouriço’, habituais nestas finais, quase que não marcaram presença, apesar das quase 4h de duração.

A entrada dos concorrentes em palco, as surpresas, as grandes diferenças físicas e psicológicas e uma Júlia bastante segura de si, afastada dos habituais cartões fizeram com que esta fosse umas das melhores galas finais de sempre na televisão portuguesa. Depois de uma das estreias mais vistas de sempre, com uma audiência de 18.4% e um share de 44.8%, o programa apresentado por Júlia Pinheiro volta a atingir um novo recorde na noite de despedida, desta vez em share. Com 16.3% de audiência e 52.1% de share, a grande final do Peso Pesado esmagou a concorrência. E mereceu o resultado, pela fantástica gala que foi apresentada.

É por isso mesmo que, na 2ª edição de Peso Pesado, Bárbara Guimarães terá uma díficl missão pela frente, durante a condução do formato. Uma aposta arriscada e que pode não ser a mais acertada. É certo que Júlia assim o quis, pois o excesso de trabalho não lhe permitiu conciliar a condução de Peso Pesado com as manhãs no Querida Júlia. Ainda assim, imaginar Bárbara Guimarães neste programa é difícil e o formato, à primeira vista, não tem muito a ver com ela. Espera-se uma boa surpresa. Que venha a segunda edição do Peso Pesado!

Nota final: 18/20