Mais uma vez este ano, outro herói saltou dos quadradinhos para os ecrãs de cinema. Capitão América: O Primeiro Vingador chega hoje a Portugal envolto em grande expectativa pela boa aceitação que está a ter no seu país natal.

Criado para a banda desenhada por Joe Simon e Jack Kirby, é em 1941, em plena segunda Guerra Mundial, que Steve Rogers, ou Capitão América, cujo escudo com as cores da bandeira dos EUA é a imagem de marca, surge pela primeira vez, conquistando uma legião de fãs durante o conflito, mas acabando por cair um pouco no esquecimento depois disso.

Contudo, este ano, o seu regresso ao grande ecrã pôs todas as atenções para si viradas novamente. O filme, no entanto, não traz grandes novidades como parecia fazer prever. É Joe Johnston (Jumanji, 1995; October Sky, 1999; O Lobisomem, 2010) quem realiza, e cabe a Chris Evans vestir a pele de Steve Rogers, numa interpretação mediana. A personagem, todavia, mostra-se interessante, bem como o período em que a história se passa.

Capitão América: O Primeiro Vingador passa-se em 1940, durante a Segunda Guerra Mundia, quando a Europa se encontrava ameaçada pela Alemanha e pelos seus ideais nazis. Steve Rogers (Chris Evans) é um jovem americano, com uma fraca aptidão física e saúde debilitada, mas que ambiciona ir para o exército americano combater. Depois de, por diversas vezes, ter sido considerado inapto, Rogers acaba por se voluntariar para um novo programa governamental dirigido pelo Dr. Abraham Erskine (Stanley Tucci), com o intuito de criar super soldados.

Depois de ser seleccionado pelo general Chester Phillips (Tommy Lee Jones) é, posteriormente, transformado num herói com super-poderes, passando a chamar-se Capitão América. Este programa visa defender o mundo da HIDRA, uma organização nazi liderada pelo vilão Johann Schmidt/Caveira Vermelha (Hugo Weaving), um homem sem escrúpulos que, tal como Hitler, acredita na supremacia da raça ariana e quer dominar o mundo. O Capitão América torna-se, assim, a única esperança para o derrotar.

Esta adaptação da criação da Marvel não resultou num grande filme. A história é já conhecida, pelo menos para os fãs, mas não deixa de despertar interesse tanto aos seguidores das histórias como a meros curiosos, também no que respeita ao período histórico em questão, tão marcante. Todavia, o filme traz-nos apenas mais uma história de super-heróis, como tantas outras já feitas.

De destacar são talvez os valores que se transmitem através do protagonista. Um rapaz que, apesar de fraco, revela uma coragem fora do comum e nunca desiste, fazendo tudo para salvar os que lhe são mais queridos. Apesar de cliché, é apresentado um Steve Rogers com valores fortes que não deixa de lado nem quando ganha super-poderes. Dada a época, havia talvez a necessidade de realçar as virtudes do homem americano e Capitão América parece surgir como um modelo.

Mais uma vez, o entretenimento está aqui em jogo acima de qualquer outra coisa e, nesse aspecto, o filme poderia ganhar sendo um pouco mais curto. Há ainda alguns momentos de humor interessantes, apesar de isso não ser o essencial em Capitão América: O Primeiro Vingador. Os efeitos especiais são bons e não se recorre a grandes exageros. O único exagero a apontar será o 3D, desnecessário. A técnica utilizada para “encolher” o protagonista funcionou bastante bem. Ainda no que toca a efeitos especiais, a luta final entre o super-herói e o vilão Caveira Vermelha é, a meu ver, dos melhores momentos do filme. A banda sonora é do compositor Alan Silvestri (cuja filmografia é vastíssima) e encaixa bastante bem.

O elenco conta com grandes nomes como Hugo Weaving (Matrix, V de Vingança, O Senhor dos Anéis, O Lobisomem) ou Tommy Lee Jones (Homens de Negro, Este País Não É para Velhos), que se saem bastante bem nos seus papéis. Weaving, representa na perfeição um Caveira Vermelha implacável e poderoso, com uma força praticamente ao mesmo nível do Capitão América. Lee Jones está também muito bem na pele do Coronel Chester Phillips. Quem também se destaca no filme é a bela Hayley Atwell como a corajosa Peggy Carter. Já Chris Evans, apesar de não estar brilhante, faz um trabalho aceitável e acaba por ser credível como Capitão América.

No final do filme há uma surpresa, e há que esperar pelo final dos créditos para assistir a mais um teaser d’ Os Vingadores, com estreia prevista para o próximo ano, onde o Capitão América (juntamente com outros heróis da Marvel) regressará.

Capitão América: O Primeiro Vingador, não supera Thor (cuja crítica do Espalha-Factos pode ser relida aqui), que também teve estreia este ano e que, para mim, havia sido uma boa surpresa dentro deste género de filme. No entanto, não deixa de ser um filme que entretém q.b, com um herói que desperta curiosidade e um vilão à altura. Agradará de certo aos fãs da Marvel, os outros ficar-lhe-ão provavelmente indiferentes, mas não deixarão de passar alguns bons momentos com este herói americano.

6.5/10

Ficha Técnica

Título original: Captain America: The First Avenger

Realizado por: Joe Johnston

Escrito por: Christopher Markus, Stephen McFeely, Joe Simon (banda desenhada) e Jack Kirby (banda desenhada)

Elenco: Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hugo Weaving, Hayley Atwell

Género: Acção, Aventura, Ficção Científica

Duração: 124 minutos

Crítica escrita por: Inês Moreira Santos