Hoje, dia 2 de Agosto de 2011 estreou a nova série do “irreverente” programa 5 para a Meia Noite. A novidade principal: a apresentadora. Carla Vasconcelos tomou a dianteira.

Conhecida do público através de projectos como Contemporâneos, ou, mais recentemente, Morangos com Açúcar, a actriz de 40 anos demonstrou uma ligeireza comprometida na qual muitos sorrisos serviram para ganhar tempo. O teleponto foi lido com as mesmas inflexões de voz usadas para caricaturar a má leitura de telepontos em comédia, o que não levou a um bom arranque da emissão.

O facto de ter escrito “conhecida do público” e não “do grande-público” foi propositada. A actriz não é conhecida do segundo e merecia melhor apresentação que a feita através de três maus sketches que, quando lançados, se pensava serem para esse fim.

Como convidado desta primeira emissão, Carla Vasconcelos recebeu apenas Rui Unas, ficando uma cadeira livre. O rapaz do Cabaret da Coxa surgiu confiante, baseando as suas respostas (às perguntas de discutível qualidade que enquadravam coisas como “Cheiras mal dos pés?”) em referências libidinosas ad nauseum que levaram ao cansaço do espectador.

Outro ponto a reter é que se o “asneirómetro” estivesse ligado, tinha estoirado em sons de alarme. E não, não é falso moralismo. Bem sei que este é um programa de jovens, e que os jovens fartam-se de dizer palavrões, e que é suposto ser um programa diferente, e que o argumento do brejeiro já está ultrapassado, etc., etc., etc.. Mas, na minha opinião, o bom-senso continua a ser a base de uma boa televisão, e no que a isso diz respeito, senti falta.

Quanto ao formato do programa, a novidade esteve pouco presente. O genérico mudou, o cenário em geral manteve-se, assim como o spot “finjam que não sabemos que estamos a ser filmados”, minutos antes de começar o programa.

O momento positivo da emissão foi o sketch em que a apresentadora fez de empregada de caixa de super-mercado, o que, pela sua proximidade ao quotidiano, se tornou numa (muito bem) conseguida crítica àquela realidade.

Em geral esperava mais de Carla Vasconcelos, especialmente ao nível do conteúdo das entrevistas e das referências que pudesse mostrar ter. O factor nervosismo pode não ter ajudado e por isso não decretemos nada antes do tempo.