Tudo começou em 2005, com os irmãos Jónatas, na guitarra e voz, e David, na bateria, a quem se juntou pouco depois Filipe Sousa, na outra guitarra e voz. Silas Ferreira, responsável pelas teclas, entra meses depois e, com ensaios mais regulares, os primeiros concertos começaram em 2006.

A fama começou a chegar em 2008, com Magnífico Material Inútil, mas foi em 2010, com Pequeno Almoço Continental, que o reconhecimento se tornou maior ainda. Os Pontos Negros trouxeram consigo alegria às rádios e palcos nacionais com o seu “roque enrole” cantado em português.

Os Pontos Negros vs. White Stipes

O nome surge quase como em contraposição com as “listas brancas” dos White Stipes, cuja influência foi mais notória nos primeiros tempos d’ Os Pontos Negros, quando a música que faziam era muito mais pesada, perto do punk ou hardcore. Mas, neste caso, interessa mais o conceito: Os Pontos Negros começaram por ser apenas os dois irmãos Pires, à semelhança de Jack e Meg White (irmãos fictícios).

EP, Álbuns e Temas

Ainda em 2005 e pela editora FlorCaveira, de Tiago Guillul (que tem sempre acompanhado Os Pontos Negros), sai o EP da banda de Queluz, com cinco temas, entre eles alguns dos mais emblemáticos da banda. Funeral continua, passados seis anos, a ser insistentemente pedido nos concertos pelos fãs mais fiéis. A divertida Canção da Lili ou Inês ainda fazem parte de alguns dos alinhamentos e são muitos os que as sabem de cor.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Ki39XT0gpA0

(Funeral)

Magnífico Material Inútil surge em 2008, tem 13 músicas e foi o primeiro LP do grupo. Conto de Fadas de Sintra a Lisboa tornou-se um dos seus temas mais conhecidos, tendo, mais tarde, feito parte da banda sonora da série juvenil Lua Vermelha. O seu divertido vídeoclip conta com a participação da actriz Oceana Basílio, e dos músicos Manuel Fúria (Os Golpes) e João Coração. Magnífico Material Inútil, Cola-me no Chão ou Depois da Bonança Vem a Tempestade são outras das canções mais conhecidas deste álbum, que marca a ligação da banda à Universal.

httpv://www.youtube.com/watch?v=ZxXdeVQRxp0

(Conto de Fadas de Sintra a Lisboa)

No final de 2009, Os Pontos Negros foram convidados por Henrique Amaro para gravar alguns temas para o programa Três Pistas, na Antena 3, que seriam posteriormente lançados num CD com o mesmo nome. A banda gravou três originais e uma versão do tema Esta Balada Que Te Dou, original de Armando Gama. Na voz de Filipe, esta versão mais rock da música concorrente ao festival da canção de 1983, é tocada em alguns concertos.

Em 2010, também pela Universal, nasce Pequeno Almoço Continental, que conta com Jorge Cruz, dos Diabo na Cruz, como produtor. Rei Bã foi o primeiro single, que conta com um videoclip divertido e cheio de cor, filmado nas ruas de Lisboa.

httpv://www.youtube.com/watch?v=_dzgqIev2hc

(Rei Bã)

Duro de Ouvido, uma das músicas mais complexas em termos instrumentais, é o segundo single deste último álbum, cujo teledisco saiu recentemente. As influências de António Variações, que se podem notar um pouco em todos os trabalhos d’ Os Pontos Negros, tornam-se aqui mais evidentes, na homenagem feita ao músico português no electrizante tema Se o Variações Fosse o meu Barbeiro. Amor é Só Febre (um lado mais romântico da banda), Glória (mais um nome de menina), Subzero, Lisboa, Não Passas Deste Inverno ou Caminhos de Ferro são outros temas deste álbum.

Os Pontos Negros, Instituto Superior Técnico (2010)

Os Concertos

Começaram na cave da Igreja Baptista de Queluz, mas, desde aí, têm sido muitos outros os palcos que têm pisado por todo o país. Em 2009, tocaram no Festival Optimus Alive, no Musicbox estiveram pela última vez no passado mês de Maio, no Cinema São Jorge teve lugar o concerto de apresentação do segundo álbum, mas também o Plano B, no Porto, as festas académicas por todo o país e muitos outros locais já receberam o rock d’ Os Pontos Negros.

Os concertos, onde Jónatas, Filipe, David e Silas percorrem os temas mais antigos e mais recentes, são sempre recheados de energia e alegria. É em cima do palco que os quatro rapazes se sentem bem e adoram a sensação de adrenalina que é ter o público por perto. O refrão do tema Duro de Ouvido pode resumir bem como a banda se apresenta: “E tenho alegria dentro do meu coração”.

httpv://www.youtube.com/watch?v=3s4SP15UHgE

(Amor é Só Febre, ao vivo no Plano B, Porto)

Música e Religião

Ligados desde o início à editora baptista FlorCaveira, onde começaram, para Os Pontos Negros, a religião e a música estão intrinsecamente ligadas. Como explicaram o ano passado, em entrevista ao Espalha-Factos (que pode ser lida na íntegra aqui), a comunidade baptista, de qual os elementos da banda fazem parte, nasceu nos Estados Unidos da América e tem raízes no gospel e soul. Como Filipe Sousa disse: “A música é talvez uma parte fundamental da religião”. Para além do mais, os quatro músicos começaram a ouvir música e a tocar na Igreja. O próprio órgão (que facilmente se liga às igrejas), usado n’ Os Pontos Negros num contexto muito mais rockeiro, pode relacionar-se com essa ligação música-religião.

httpv://www.youtube.com/watch?v=Hhi-mL8_kpw

(Peça sobre Os Pontos Negros e a Igreja Baptista de Queluz, na RTP 1)

Recentemente o grupo anunciou no seu facebook que têm quatro novas canções a ser preparadas. É esperar por mais novidades desta banda portuguesa que tem muito para dar. Mais informação sobre Os Pontos Negros podem ser encontradas no seu site oficial, myspace ou facebook.

Inês Moreira Santos