Sónia Brazão foi esta terça-feira constituída arguida no seguimento da violenta explosão no seu apartamento, que levou ao seu internamento no Hospital de S. José.Várias teorias se constroem em relação ao hipotético dolo da actriz na explosão de 3 de Junho. O jornal i revela que fonte próxima da Protecção Civil adianta que Sónia terá ligado os bicos do fogão intencionalmente, deixando que o gás de botija se acomodasse na sala durante três horas. Depois, bastou ligar a máquina de lavar para que a explosão acontecesse. No entanto, a mesma fonte refere que a actriz não tinha conhecimento que este acto originaria a explosão.

A tese de que tentou o suicídio sustenta-se no facto de Sónia Brazão ter ligado os quatro bicos do fogão ao mesmo tempo, o que, numa primeira fase de inalação do gás, poderia levar à perda dos sentidos e posteriormente à morte por asfixia. Estas e outras questões colocaram a actriz no papel de arguida ontem, dia 26 de Julho, após uma hora de declarações na Polícia Judiciária, em Lisboa.

Em diversas entrevistas à comunicação social, Sónia tem garantido que não tinha qualquer intenção de causar a explosão e de provocar a sua morte. Ainda assim, poderá ser acusada do crime de explosão, uma vez que colocou em perigo a vida e os bens de terceiros, o que incorre numa pena de prisão entre os três e os dez anos. Recorde-se que da explosão resultaram outro ferido e danos em carros e imóveis vizinhos.

Nas palavras do de Rogério Alves, há uma questão a ser esclarecida: “Há aqui, porém, uma coisa que é preciso diferenciar. Uma coisa é o crime, que pode ser negligente ou doloso, outra coisa é a actividade perigosa, que também pode ser negligente ou dolosa.” O ex-bastonário da Ordem dos Advogados conclui portanto que a actriz só será sujeita a dez anos de prisão “se se provar que tanto o crime como o perigo são de natureza dolosa, colocando em perigo vidas ou bens com significado”.