Só depois de dois anos passados desde a estreia do filme por Terras do Tio Sam, Confissões de uma Namorada de Serviço (The Girlfriend Experience) chega a Portugal a 14 de Julho.

O filme, cuja temática, a prostituição de luxo, podia ter tudo para resultar num excelente e diferente filme, falha redondamente. Ao tentar mostrar toda uma rotina de Chelsea, uma call girl interpretada por Sasha Grey cujos clientes se centram na camada mais alta da sociedade, o filme acaba por cair ele próprio na rotinização de um esquema que encaixa uma sequência que o espectador quase acaba por interiorizar de tão previsível: encontro com cliente, vida familiar, encontro com jornalista, encontro com amiga. Quase toda a película gira à volta de Chelsea, não abrindo muito espaço para estórias paralelas. É tudo demasiado previsível.

Até os encontros com os clientes parecem padronizados: a descrição do vestuário de Chelsea, uma conversa com o cliente (que normalmente gira à volta da economia ou da vida familiar) e a descrição de todo o encontro. Só o facto de os clientes terem sempre diferenças (embora mínimas) entre si consegue ir mantendo o espectador agarrado ao filme à espera que algo mude. Mas não, até quase aos 20 minutos finais do filme nada muda e, quando muda, acontece tudo sem muito sentido.

Um dos traços interessantes destes mesmos encontros, como já referido, é a discussão à volta de economia. A acção do filme decorre em 2008, em pleno debate eleitoral entre Obama e McCain, dúvida que deixa os nervos em franja aos grandes empresários americanos. Tenta-se aprofundar o cliché de que os ricos só falam em política e dinheiro, tentando reforçar que a vida de uma call girl está longe de ser uma aventura repleta de emoções.

Emoções é aquilo que Sasha Grey está longe de conseguir transmitir neste filme. O espectador fica em dúvida se a sua face impávida e serena é parte de um trabalho de personagem que pretende mostrar uma mulher dura e destemida face ao contacto muito próximo com as suas emoções que a sua profissão exige, ou se será mesmo má interpretação da actriz. A dúvida persiste e o melhor será tirar as suas próprias conclusões.

Quanto às restantes personagens, quase nada se exige delas a nível de interpretação. São personagens com pouca profundidade emocional (pelo menos assim são retratadas), cuja entrada no filme apenas serve para acentuar a personagem de Chelsea. Apenas os dois homens que interferem mais directamente nas emoções da call girl (o namorado e o cliente por quem ela acaba por se apaixonar) conseguem ganhar algum destaque de entre os papéis secundários.

Numa semana em que o mundo anseia pelo final da saga do feiticeiro mais famoso dos últimos tempos, em Portugal, Confissões de uma Namorada de Serviço não deve ir longe nas bilheteiras. Talvez o motivo de chegar quase dois anos depois da estreia nos Estados Unidos da América seja, e isto são apenas suposições, a necessidade de tapar algum buraco na programação cinematográfica e não dar ao público razão de queixa por não ter filmes alternativos a Harry Potter.

5/10

Ficha Técnica

Título original: The Girlfriend Experience

Realizado por: Steven Soderbergh

Escrito por: David Levien, Brian Koppelman

Elenco: Sasha Grey, Chris Santos, Philip Eytan, David Levien

Género: Drama

Duração: 77 minutos