O último dia de festival foi o menos populoso no Passeio Marítimo de Algés. Desta vez, 30 000 pessoas estiveram presentes no fecho do Optimus Alive ’11. Jane’s Addiction foram uns cabeças de cartaz pouco convincentes, tanto que Kaiser Chiefs e Paramore poderiam facilmente tomar esse lugar.

Depois de Stereopack e de WU LYF, os portugueses Linda Martini subiram ao palco secundário perante um grande número de fãs que pareciam sentir com a alma a música que ecoava pelo recinto. O concerto terminou com o tema 100 Metros Sereia e com o público a cantar com uma incrível garra o refrão, que se continuou a fazer ouvir mesmo depois da música acabar. A banda agradeceu aos fãs emocionada com a recepção. Enquanto isso, White Lies já estavam no palco principal. O público, que ainda não era muito, mostrou-se entusiasta e animado. A banda deixou o desejo de voltar em breve.

Os Kaiser Chiefs chegaram ainda o Sol não se tinha posto, e trouxeram consigo o anoitecer e um dos melhores concertos da noite – tão bem que podiam ser os cabeças de cartaz. Foi um concerto e tanto, como a banda sempre nos tem habituado. Ricky Wilson trouxe consigo a sua rebeldia e força e deixou o público em delírio do início ao fim do espectáculo. Enérgico e divertido, o vocalista não parou um segundo no palco e fora dele. Do novo álbum The Future is Medieval ouviram-se, por exemplo, os temas Little Shocks ou Starts with Nothing, mas são os mais antigos que mexem realmente com os fãs. Everyday I Love You Less & Less, Never Miss a Bit, Ruby, Modern Way ou I Predict A Riot puseram todos a saltar, a cantar e a vibrar sempre que Ricky Wilson descia do palco para o corredor junto do público, se pendurava nas grades e puxava insistentemente pela assistência que correspondia e fazia-se ouvir. Sempre imprevisível, a determinada altura o vocalista sai do palco e entra numa das barracas de cerveja que se encontravam no recinto, perante o espanto de funcionárias, seguranças e fãs (alguns dos que estavam mais perto ainda correram para ele). Oh My God encerrou o concerto com banda e fãs a cantarem em coro. Wilson agradece aos presentes e a banda sai do palco, deixando no público o desejo de um encore (que só acontece com os cabeças de cartaz), enquanto se continuava a gritar “Kaiser Chiefs” entusiasticamente.

No palco Optimus seguiu-se o outro grande concerto deste último dia de Optimus Alive. Os Paramore, que chegaram por volta das 22h00, foram anunciados pelos gritos dos muitos fãs. Esta foi a primeira vez que a banda norte-americana actuou em Portugal e a impressão deixada não poderia ser melhor. Com o seu característico cabelo vermelho, Hayley Williams entregou-se muito e não se cansou de interagir com o público que cantava e saltava a cada música de Paramore. Feeling Sorry, Monster ou Misery Business, estiveram no alinhamento da banda. Foi nesta última que a vocalista chamou dois fãs ao palco, a que se juntou ainda uma terceira rapariga que se tornou, por momentos, a guitarrista da banda, não se tendo saído nada mal.

Enquanto isso, o palco Super Bock recebia Tv On The Radio, num grande concerto. Halfway Home e Dancing Choose foram alguns dos temas que animaram os muitos fãs que quiseram encher a tenda do palco secundário. Dizzee Rascal, que actuaria de seguida teve de cancelar o concerto devido não ter podido embarcar no voo que o traria a Portugal, por ter sido expulso do avião. Os substitutos de última hora foram os portugueses Diabo na Cruz, sempre preparados para dar música e fazer a festa onde quer que estejam. Este concerto foi, mais uma vez, prova disso. Enquanto se começava a ouvir o primeiro tema Eito Fora, podiam ver-se alguns estrangeiros a perguntar aos seguranças que banda era aquela e o que se passava com o concerto do rapper britânico. Poderiam realmente pensar que estavam no sítio errado, já que o número de fãs de Diabo na Cruz presentes fez parecer que eles faziam parte do cartaz do festival desde o início. Uma actuação curta, mas que fez a festa com temas como a famosa Dona Ligeirinha, Os Loucos Estão Certos, Corridinho de Verão, Bom Tempo, entre outros temas, que puseram todos a cantar, saltar e dançar do início ao fim. Diabo chegou e arrasou com o seu rock popular.

Os cabeças de cartaz Jane’s Addiction actuaram perante um público pouco entusiasmado. Apesar dos 26 anos de carreira, a banda parece não ser tão reconhecida como deveria em Portugal. O concerto no Alive ’11 foi a sua estreia no nosso país e a simpatia dos norte-americanos foi notória. O rock dos Jane’s Addiction foi apresentado recheado de erotismo, onde duas dançarinas em lingerie acompanharam a banda em palco, e com Perry Farrell sempre de garrafa de vinho na mão. O vocalista conversava com o público, mas este correspondia pouco. Farrell tentou ainda dizer algumas palavras em português e considerou aquela uma noite “bonita”. A determinada altura os presentes pareceram animar, com Perry Farrell a descer para junto do público. Perto do final do concerto saíram papelinhos coloridos do palco, dando uma nova cor ao espectáculo.

No entanto, o fim demasiado precoce da actuação que durou pouco mais de uma hora (mas que ainda assim teve direito a encore) não ajudou a que a ideia de que Jane’s Addiction não foram a melhor escolha para cabeças de cartaz do último dia do festival fosse posta de parte. Duck Sauce encerrou a última noite no palco principal onde não pôde faltar, claro, o seu tão famoso tema Barbra Straisand.

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Reportagem: Inês Moreira Santos
Fotos: Rúben Viegas