Cada vez mais os leitores passam a ouvintes. E o motivo é simples: ao ouvir, a essência das palavras acomoda-se mais facilmente na memória. Foi com base nisso que Duarte Henriques, Joana Mendonça e Teresa Henriques criaram o projecto O Livro.

A ideia de O Livro surgiu pela mão da Teresa Henriques, escultora nos EUA: «Vi os meus avós na última fase da vida deles, quando começaram a perder as capacidades físicas, a ficarem reféns da televisão», declarou, afirmando que a ideia do projecto surgiu ainda em Portugal. Recordando que os seus avós gostavam muito de ler, apercebeu-se que «fazer uma biblioteca falada através da rádio» era a forma ideal para não se perderem hábitos. O Livro deseja abranger os idosos, as crianças e também os preguiçosos.

Em colaboração com a Teresa, Joana Mendonça e Duarte Henriques pretenderam, então «criar um programa em que os idosos vão contar histórias às crianças» e, para além disso, consideram que O Livro é «uma mais-valia para os doentes que estão nos hospitais ou para os cegos» e até mesmo para os analfabetos.

O objectivo do projecto é, pois, criar um programa de rádio onde os livros são lidos capítulo por capítulo a uma determinada hora, tal como acontecia com as radionovelas. Eça de Queiroz, Fernando Pessoa e José Saramago são alguns dos autores que seriam divulgados nestes programas. Contudo, a equipa prevê algumas dificuldades quanto à sua transmissão: «Uma rádio juvenil nunca irá aceitar a nossa proposta», comenta Teresa. O público-alvo tem que ser «mais maduro, que saiba dar valor a um bom livro», adita.

O grupo tenciona, portanto, contar com o apoio de estudantes formados em áreas de dicção e línguas e que se encontrem disponíveis para «dar voz» à mais variada literatura portuguesa. Para além disso, uma das vertentes do projecto é disponibilizar o acesso a esta biblioteca na Internet. Segundo Joana Mendonça, economista, «existirá uma plataforma online onde os livros estarão disponíveis, as pessoas fazem download e vão ouvindo». Diogo Henriques, engenheiro informático, conta que irão apostar «numa coisa simples, que permita o acesso a qualquer pessoa, jovem ou menos jovem, português ou estrangeiro».

A equipa acredita que este projecto irá valorizar a cultura portuguesa e, sobretudo, os seus escritores. Tudo isso é possível graças à rádio que «chega a todos, mesmo as famílias portuguesas mais pobres» e não pretende menosprezar ninguém… nem mesmo os turistas pois, para estes, estão pensadas gravações em francês e inglês.