Já se estrearam JP Simões e Afonso Pais no Teatro S. Luiz ao apresentarem o seu primeiro projecto juntos, Onde Mora o Mundo. Com isto, aliaram-se a versatilidade de JP Simões, compositor, músico e letrista, ao jazz de Afonso Pais, multi-instrumentista e compositor.

Responsável pela composição e direcção musical ficou, portanto, Afonso Pais, encarregando-se JP Simões das letras e de dar voz ao projecto. Acerca do álbum, JP afirma ser “um disco de amor impossível e bipolaridade, (…) uma odisseia que fala sobre o facto de o mundo existir na ponta dos nossos vínculos afectivos e dentro dos nossos discursos” (em entrevista ao Clique). Nele, efectivamente, podemos encontrar um misto de jazz com ritmos brasileiros tão característicos, respectivamente, dos dois artistas.

Apesar de não se conhecerem anteriormente, e depois de apresentados, perceberam facilmente que o estilo de cada um seria compatível com o do outro e, perante isto, a junção de ambos faria todo o sentido. O concerto de sexta-feira permitiu aos dois músicos reunirem os restantes elementos que compuseram o álbum, tendo estado em palco, para além da dupla, Carlos Barreto (contrabaixo), Luís Candeia (bateria), Jorge Reis (saxofone alto), Tomás Pimentel (fliscorne) e Luís Cunha (trombone, «Eb Horn» e flauta).

Este não fora o primeiro concerto que JP Simões e Afonso Pais deram juntos, tendo inclusive já passado pelo Brasil, onde actuaram num concerto com mais dois artistas brasileiros. Trata-se de um trabalho onde temas como a impossibilidade do amor (já tão próprios de JP Simões), com uma melancolia, humilhação e auto-flagelos constantemente ironizados e gozados predominam, acentuados pelas capacidades não só musicais como interpretativas do vocalista dos Belle Chase Hotel.