Num terceiro dia de festival marcado por problemas técnicos respeitantes à estrutura do palco, que obrigaram ao cancelamento de três concertos no palco Optimus, os cabeças de cartaz 30 Seconds to Mars, tentaram salvar (com pouco sucesso) um pouco da noite, apesar da actuação ter começado com cerca de uma hora de atraso e ter durado pouco. Para compensar o desagrado de muitos festivaleiros, o palco Super Bock ofereceu uma alternativa tão boa ou melhor que o principal, de onde se destacam os fantásticos concertos de Fleet Foxes e Grinderman.

Os portugueses Klepht tinham já os instrumentos no palco preparados para a sua actuação, todavia, por volta das 17h30, foi detectada no palco uma viga que não inspirava segurança. Depois disso, foram feitos esforços para solucionar o problema de forma que alguns concertos ainda tivessem lugar, o que só aconteceu pelas 00h30, com 30 Seconds to Mars. Para prevenir, o palco foi ainda reforçado por duas gruas.

O desagrado dos fãs das bandas deste terceiro dia foi notório, queixavam-se de não terem sido informados do que estava a acontecer (as primeiras instruções da organização surgiram por volta das 21h00), e é de lembrar que muitas das pessoas acamparam junto ao Passeio Marítimo de Algés de madrugada para conseguirem ficar nas primeiras filas, sem falar ainda dos muitos estrangeiros. Klepht, The Pretty Reckless e You Me At Six viram assim os seus concertos cancelados.

Mas nem tudo foi mau neste dia de Optimus Alive. Os Fleet Foxes, pela primeira vez em Portugal, foram recebidos de casa cheia. A grande maioria dos presentes sabia porque estava ali e era visível o carinho pela banda de Robin Pecknold, que também parece ter-se apaixonado pelo público português. Temas como Mykonos, Your Protector ou White Winter Hymnal foram alguns que instalaram a alegria e puseram todos a dançar e a cantar com a banda norte-americana. O público correspondeu e entre ele e os Fleet Foxes estabeleceu-se a harmonia perfeita. Helplessness Blues encerrou o concerto com muitas palmas a acompanhar.

O palco secundário continuou a não dar descanso, enquanto o palco Optimus continuava vazio. Desta vez, por volta das 22h15, recebeu Grinderman, banda de Nick Cave, para aquele que foi considerado por muitos o concerto a noite e, provavelmente, um dos melhores deste Optimus Alive. Mais uma vez, eram muitos os que se juntavam para assistir a um concerto que surpreendeu mesmo quem não conheciam bem a banda. O próprio vocalista parece ter ficado surpreendido com a calorosa recepção de um público entusiasta, que saltava e batia palmas ao longo de todo o espectáculo. Cave desceu ainda para junto dos fãs que o agarravam, tocavam e que cantavam com ele. Com o seu rock agressivo, Grinderman deixou os festivaleiros completamente extasiados.

À banda de Nick Cave seguiu-se Thievery Corporation, poucos minutos antes do palco Optimus estar finalmente em condições de receber a banda de Jared Leto. 30 Seconds to Mars quiseram concertar os “estragos” causados pelos problemas técnicos, e compensar os fãs. Não foi preciso muito para que tal acontecesse. Aos primeiro acordes, já todos pareciam ter esquecido as longas horas de espera e a animação instalou-se, com o público a saltar e a cantar com a banda.

O grupo optou por tocar os temas mais conhecidos, como Attack, Search and Destroy ou This is War (onde foram lançadas bolas vermelhas sobre o público), e usar de grande interacção com os fãs. “Jump, Jump, Jump” gritou muitas vezes Leto, e todos saltavam incansáveis. Foram cantados alguns temas em acústico, houve fãs chamados ao palco para ensinar português ao vocalista, que não poupou elogios a Portugal, tendo mesmo confessado que alguns dos melhores concertos da banda foram dados no nosso país.

Closer to the Edge encerrou o espectáculo, tendo sido talvez este o momento alto de 30 Seconds to Mars, com papelinhos brancos a sair do palco, o público a cantar e Jared Leto a desfilar com a bandeira portuguesa às costas. Uma hora depois de ter sido tocada a primeira música o concerto terminou, perante a desilusão dos fãs, e nem encore houve. A noite continuou com The Chemical Brothers e a sua música electrónica.

Apesar da insatisfação quase geral neste terceiro dia de Optimus Alive, o palco secundário foi o centro das atenções e recebeu os grandes concertos da noite: Fleet Foxes e Nick Cave. Esses sim valem a pena recordar.

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Reportagem: Inês Moreira Santos
Fotos: Rúben Viegas