E começou um dos maiores festivais de Verão do país, com um primeiro dia marcado principalmente pelas aguardadas actuações dos norte-americanos Blondie e dos britânicos Coldplay, onde nem fogo de artifício faltou.

No palco Super Bock, logo às 17:00, os neozelandeses The Naked and Famous tiveram casa cheia. No público contavam-se muitos fãs da banda que esteve pela primeira vez em Portugal. Girls Like You e Young Blood foram alguns dos temas tocados, que fizeram o festivaleiros vibrar.

No mesmo palco seguiram-se os norte-americanos Avi Buffalo, mas o público parecia ter fugido para o palco principal onde começavam também a actuar The Twilight Singers. Grande parte dos que ficaram a assistir ao concerto preferiram sentar-se no chão. A actuação não foi surpreendente, mas a alegria e energia do vocalista e da baterista valeu pela atitude “ausente” da baixista e do guitarrista. O público esse não ficou convencido.

Às 19h10, o palco Optimus recebeu Grouplove, e a sua música indie-rock. O concerto foi marcado por alguns problemas técnicos nas primeiras músicas, mas assim que estes foram resolvidos o público deixou-se contagiar. Com apenas um EP editado, a banda tocou entre outros, o tema Naked Kids, e aproveitou para apresentar Fun, música do próximo álbum, momento que foi acompanhado, por coincidência, pelas acrobacias de uma avioneta, que sobrevoou o passeio marítimo de Algés, acabando por desviar algumas as atenções. Por curiosidade, o baixista dos Grouplove trouxe vestida uma t-shirt onde se podia ler “Love Lisboa”.

A revelação do ano James Blake, foi também um dos nomes mais aguardados do primeiro dia de Optimus Alive. Às 20:00, o palco Super Bock voltou a encher para assistir ao concerto do britânico. A sua música, que percorre o dubstep e a electrónica, contagiou o público e a timidez de Blake também. O músico mostrou-se surpreendido por uma tão calorosa recepção e o público não se fez rogado, aplaudindo entusiasticamente.

Pouco depois, começava mais um concerto no palco principal. Os Blondie, a banda de punk rock e new wave que tanto sucesso tiveram nos anos 70 e 80, regressaram ao nosso país com o novo álbum Panic Of Girls na bagagem. E foi com Mother, o primeiro single do mais recente trabalho, que Deborah Harry deu início ao espectáculo. Os 66 anos parecem não ter qualquer peso na cantora que continua com imensa energia e com grande interacção com o público. Maria, Atomic, Call me, Heart of Glass, Hanging On The Telephone, foram alguns dos clássicos revisitados para alegria dos milhares de fãs.

E eis que os mais esperados da noite entram em palco, com cerca de 52 mil pessoas ansiosas por os ver. Os Coldplay chegaram ao som da música do filme Regresso ao Futuro, e com um espectáculo muito visual. Não faltaram luzes sobre o público, flores de papel a sair do palco e mesmofogo de artifício no início do concerto e, mais uma vez, já no encore, durante o tema Fix you. A banda percorreu temas de todos os álbuns (Parachutes, 2000; A Rush of Blood to the Head, 2002; X&Y, 2005 e Viva la Vida or Death and All His Friends, 2008), entre eles Yellow, In my Place, tema que o público acompanhou em coro, Lost, que teve direito a bolas coloridas sobre os milhares de pessoas presentes, The Scientist, um dos momentos mais bonitos do concerto, a par de Viva La Vida, que levou o público ao delírio, cantando em coro com Chris Martin, que saltava e dançava no palco.

Já no encore, Clocks, Fix You e a nova música, Every Teardrop Is a Waterfall, foram as escolhas da banda, tendo as duas últimas proporcionado mais belos momentos do concerto mais aguardado da noite. Apesar de menos espectaculares que há anos atrás, a os britânicos não desiludiram, proporcionando um espectáculo visualmente bonito e com alguns grandes momentos, mas talvez com demasiadas baladas para um festival de Verão.

A enchente começou a dispersar após Coldplay, mas a noite continuou no palco secundário, onde o excêntrico e brilhante Patrick Wolf animava os resistentes. A sua originalidade e energia continua a conquistar o público com quem o músico não se privou de ter contacto.

Ao longo de toda a tarde e noite, entre palcos principal e secundário, o público ia parando no animado palco Optimus Clubbing, onde as bandas da editora Amor Fúria deram música a quem os quis ouvir e dançar com eles. Os Velhos, Os Capitães da Areia, Smix Smox, Smux ou Feromona foram alguns dos nomes que por lá passaram.

O balanço do primeiro dia é dos mais positivos possíveis, com muitas bandas de grande qualidade nos três palcos do festival.

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Reportagem: Inês Moreira Santos
Fotos: Rúben Viegas