Na noite em que a luso-canadiana Nelly Furtado actuou no palco principal do Delta Tejo, o recinto encheu-se e foi surpreendido com novas versões de velhas canções e convidados especiais. Asa, Clã e Aurea aqueceram o segundo dia de festival em que se comemorava os 50 anos da Delta.

Os concertos começaram mais tarde, por volta das 20h00. Foi Asa, ou Asha, como se pronuncia, quem abriu o palco Delta e, apesar de não ter tido a quantidade de pessoas que merecia a ver o concerto, deu um espectáculo muito animado, com muita alma e, ao mesmo tempo, próximo do público, que sentiu que o tempo voou rápido de mais. De uma simpatia extrema, começou o concerto com um “How are you feeling today?“, iniciando logo a interacção. A cantora, nascida em Paris e de origem nigeriana, teve uma excelente actuação do princípio ao fim, destacando-se as músicas Fire on the Mountain, que deixou muitos a cantarolar o refrão,  Why Can’t We(be happy), aqui com a participação efusiva do público a pedido da cantora e uma versão de Jailer no final, em que Asa muda o verso “Jailer I’m talking to you” para “Lisbon I’m talking to you“, dizendo que voltará em breve a Portugal, frase essa que o público adorou ouvir, como seria de esperar.

Depois de Asa, pelas 21h10h, foi a vez dos portugueses Clã mostrarem algumas novidades e algumas canções de sempre no palco principal. Inicialmente notou-se mais uma certa desconfiança e desconhecimento das novas canções do álbum Disco Voador, que apenas alguns conheciam. Depois do single Embeiçados, que Manuela Azevedo disse ser “uma canção sobre pessoas feias mas que se amam muito” , começaram a introduzir músicas dos álbuns anteriores, que fizeram o público aplaudir e cantar com maior disposição. Foi o caso de Dançar na Corda Bamba, Tira a Teima, Problema de Expressão e ainda GTI. Depois de um breve diálogo com o público sobre que comidas apreciavam, pergunta “E quem gosta de chocolate?“, obtendo uma resposta bastante positiva começa a canção Chocolatando, incluída no Disco Voador, num tom divertido e com direito a coreografia dos restantes membros da banda. Esta canção, apesar de nova, foi muito bem acolhida pelo público que a escutava. O concerto estava bem mais cheio do que o anterior e foi, de modo geral, bastante competente, já que agradou a uma vasta maioria.

Aurea, a voz que tanto deu que falar este ano, conseguiu abrir o palco para Nelly Furtado, cantou por volta das 22h30 mostrando um pouco do que já se esperava: o single Busy (for me) – que cantou duas vezes, Okay Alright,  No No  No No (I don’t wanna fall in love with you), com a participação do público no refrão, The Only Thing That I Wanted e ainda o cover de Kiss, do grande Prince, esta inesperada e inédita. Mostrou-se feliz por estar no Delta Tejo, sendo que nunca tinha actuado num festival de Verão. Ainda cantou os parabéns à Delta, num tom melodioso, junto ao fundador Rui Nabeiro e a Luiz Montez da produtora musical Música no Coração.

Era a vez de Nelly Furtado pisar o palco principal e foi o que aconteceu depois da hora prevista, que seria 00h10, mas nem eram precisos relógios para relembrar os fãs que corriam para junto do palco, para aguardar ansiosos e tentar arranjar o melhor lugar para aproveitar o resto da noite o melhor possível. A estrela da noite não desiludiu nem surpreendeu assim tanto, apesar de ter preparado algumas surpresas, umas mais bem conseguidas que outras. Inicia com o power necessário para a Powerless, seguindo-se o hino do Europeu de futebol, Como Uma Força, Turn Off The Lights, com alguns ajustes na batida e a aguardada I’m Like A Bird, o seu primeiro sucesso, na qual alterou a melodia e a forma de cantar de tal modo, que só no refrão se entendeu que era essa a música que todos esperavam ouvir. De referir ainda o pedaço de Não Voltarei a Ser Fiel, original dos Santos e Pecadores, que introduziu e cantou (em português) no meio desta I’m Like A Bird. Mas as surpresas não ficam por aqui, brindou o público com uma versão da conhecida Broken Strings, infelizmente sem a voz de James Morrison, mas com a competência e emoção necessária. Não poderia faltar outro dos grandes êxitos da açoriana, All Good Things (Come to An End), que partilhou com Lúcia Moniz, convidada especial, que actuou no palco secundário neste mesmo dia, dando um bom concerto e bastante cheio de gente para aplaudir as canções do novo álbum Fio de Luz e não só. Quando cantava a belíssima melodia de Try, chama Sara Tavares ao palco e juntas fazem o público aplaudir e emocionam com a junção das vozes num bonito dueto. Sara despede-se dizendo “vocês são the best” e “tratem bem dessa menina”. Nelly disse gostar muito de Portugal e isso estava mais que visível no logótipo com a bandeira dos Açores que trazia enquanto cantava e tocava All Good Things. Seguiu-se o castelhano de Manos Al Aire, Sexy/No hay igual e Mysterious Girl, seguida de euforia do público. Talvez a grande surpresa da noite fosse a interpretação de Lambada, de Kaoma, algo que pôs muitos a dançar enquanto ela pulava pelo palco. No encore chamou o jovem Mickael Carreira para cantar com ela a Say It Right, mas só depois de ter cantado Maneater“Obrigada a todos os meus fãs de Portugal, Espanha, França e Brasil“, foi a última coisa que disse.

De destacar ainda o concerto muito animado da Orquestra Contemporânea de Olinda, que pôs muitos a dançar o samba das onze à meia noite. Ainda foram presença deste dia 2 de Julho, Rodrigo Maranhão com António Zambujo, Lúcia Moniz e Isilda Sanches que só terminou perto das duas da manhã. Hoje é a vez dos portugueses Expensive Soul abrirem para os brasileiros Maria Gadú, Ney Matogrosso e Parangolé.