Foi ontem, dia 1 de Julho, que teve início o Delta Tejo, que se realiza até dia 3 no Alto da Ajuda, Lisboa. Aqui ficam algumas das impressões registadas do primeiro dia do festival que representa os vários países produtores de café.

O dia ameaçava ser de chuva, mas acabou por vencer o sol, que aqueceu os ânimos festivaleiros. Esta situação meteorológica acabou por ser a metáfora para o ritmo dos concertos, já que começou Paulo Praça, pelas 19h00, no Palco Jogos Santa Casa, tocando para um pequeno público que se aproximava para ouvir músicas como Telepatia (o seu single mais recente) ou o mais conhecido, (Diz) A Verdade.

Os GNR actuaram pelas 20h00 com a banda sinfónica da GNR e o palco delta começou a encher, gradualmente, ainda que muito do público observado seja “do seu tempo”, ou seja, pessoas na casa dos 40/50 anos, alguns com os seus filhos, também muitos jovens cantaram os clássicos Pronúncia do Norte, Dunas, Mais Vale Nunca – aqui uma pequena peripécia – Rui Reininho ajoelha-se no palco de modo a poder chegar ao microfone que tinha deslizado do suporte. Um momento de risos entre o cantor e o público. Outras músicas foram revisitadas como as conhecidas Asas, Efectivamente, Morte ao Sol e a cover de Roberto Carlos, Quero que tudo vá p’ro inferno.

A grande atracção da noite, confirmada pelo número de fãs que se iam aproximando do palco delta, pelas 21h20, foram os franceses Nouvelle Vague que trouxeram, além de Mélanie Pain, uma das vocalistas habituais de várias das músicas do projecto iniciado por Marc Collin e Olivier Libaux, os portugueses Rui Pregal da Cunha, Teresa Lopes Alves, Inês Castel-Branco e Dalila Carmo. Mélanie cumprimentou o público com um terno “Bonsoir” e cantou algumas das músicas mais conhecidas como, por exemplo, Ever fallen in Love, pedindo a ajuda do público no refrão e também Master and Servant, na qual  brincou dizendo, “vamos jogar a um pequeno jogo, o jogo entre mestre e serviçal” e neste momento o público estava mais desperto e participativo na sua actuação, tanto a nível de aplausos como em participação nas músicas.

Mélanie Pain chamou a portuguesa Teresa Lopes Alves, bastante aplaudida, mas antes, disse ao público que tinha muita sorte de estar ali a ver e ouvir aquele concerto tão especial, pois iam cantar músicas em português pela primeira vez, músicas essas que integrarão um  novo álbum de clássicos portugueses dos anos 80, tocados pela banda dos Nouvelle Vague. Teresa, de voz potente e imagem serena interpretou Irreal Social, dos Ban.

Seguiu-se Dalila Carmo com Foram Cardos, Foram Prosas, originalmente cantado por Manuela Moura Guedes, destaca-se a energia de Dalila em palco e a sua “dança” que animou, sem sombra de dúvida, toda a audiência que aplaudia todos os seus gestos, ainda que a voz falhasse em alguns momentos, a animação estava garantida. Rui Pregal da Cunha chegou com um turbante azul muito excêntrico que captou logo a atenção de todos. Com um espírito muito emotivo e próximo do público, chama à participação de todos no tema de Despe & Siga, Sol da Caparica, com sucesso, já que o público correspondeu cantando não só o refrão, mas quase a totalidade da música.

Chegou a vez de Inês Castel-Branco, que foi bastante aplaudida, mesmo sendo mais actriz do que cantora, já não é a primeira que a vemos a cantar. Trouxe-nos uma versão sua da música O Pastor dos Madredeus, ainda que não muito afinada nesta primeira, conseguiu transmitir emoção. Cantou também o clássico dos Xutos & Pontapés, O Homem do Leme, que cantou melhor e que o público acompanhou e aplaudiu bastante. Rui Pregal da Cunha volta com Dalila Carmo, para cantar Só Gosto de Ti, dos Heróis do Mar, banda de Rui. Quase no fim, cantam todos, os convidados, Portugal na CEE dos GNR, acompanhados pelo público no refrão.

O final do concerto foi absolutamente necessário e consistente, volta Mélanie Pain para cantar mais duas conhecidas canções do projecto Nouvelle Vague. Primeiro Dance With Me, uma música calma e melodiosa, tal como a voz da cantora e, depois, Love Will Tear Us Apart, um cover dos Joy Division que emocionou todos os fãs, que cantaram sozinhos grande parte do refrão bem alto, sob as indicações da vocalista, que se mostrou muito feliz pelo reconhecimento e participação activa do público.

Claro que nem tudo foi perfeito neste concerto mas, de forma geral, foi um concerto agradável e até surpreendente, que não decepcionou os fãs no geral e tornou a noite de todos muito mais melodiosa.

*Yuri da Cunha e Sean Paul foram os outros dois cabeças do cartaz, actuaram com algum tempo de atraso no palco principal, não tendo o Espalha-Factos podido acompanhar estes concertos. Tal como os de Maya Cool, Zeca Sempre e Amor Electro, que estavam no palco secundário e, mais tarde, Pete Tha Zouk & Pedro Cazanova, no Beck’stage.