O escritor Gonçalo M. Tavares foi mais uma vez galardoado, desta feita pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) pelo seu romance Uma Viagem à Índia.

O Grande Prémio de Romance e Novela, que visa premiar um autor português por um dos seus trabalhos de ficção, foi este ano atribuído a Gonçalo M. Tavares por maioria e à terceira reunião do júri nomeado para o efeito, composto por José Correia Tavares, Cristina Robalo Cordeiro, Fernando Dacosta, Isabel Cristina Rodrigues, José Manuel de Vasconcelos, Violante Magalhães. O segundo candidato mais votado foi Amadeu Lopes Sabino, pela obra A Cidade do Homem, que conquistou dois dos seis votos do júri.

O escritor de 40 anos, nascido em Angola junta-se assim à galeria de importantes autores da língua portuguesa, vencedores deste prémio, como Agustina Bessa-Luís, José Saramago, José Cardoso Pires, António Lobo Antunes ou David Mourão Ferreira. Para o galardoado, “é uma grande honra receber este prémio, muito prestigiado, por um livro de um género estranho”, afirmou Gonçalo M. Tavares.

Uma Viagem à Índia já tinha experienciado o sabor da vitória em 2010, ao vencer o Prémio Melhor Narrativa Ficcional, da Sociedade Portuguesa de Autores, e o Prémio Especial de Imprensa Melhor Livro, Ler/Booktailors. O livro que, segundo o seu escritor, “conta a história de Bloom e da sua viagem ao Oriente para encontrar um sábio indiano que o encaminhe espiritualmente”, está dentro daquilo que Gonçalo M. Tavares diz ser uma ficção difícil de classificar e que é usual nas suas obras: “Agrada-me muito esta ideia de um texto que cada leitor coloca e recebe de diferentes maneiras”.

Não é a primeira vez que Gonçalo M. Tavares é distinguido com um prémio de tanta importância. Em 2004, foi galardoado com o Prémio LER/Millennium BCP e, em 2005, com o Prémio José Saramago, em ambos os casos devido ao seu romance Jerusalém. Noutra ocasião já tinha sido assinalado pela Associação Portuguesa de Escritores com a atribuição do Grande Prémio Conto Camilo Castelo Branco, em 2007.

Internacionalmente, é também reconhecido, seja pelos vários prémios que já recebeu em França, Itália ou Sérvia ou pelo facto que estar publicado em trinta e cinco países e com cerca de 160 traduções em curso. Além disto, as suas obras inspiraram, por todo o mundo, a criação de peças de teatro, peças radiofónicas, curtas-metragens, obras plásticas e arquitectónicas, teses académicas.

Ao longo de 29 anos, o prémio da APE já premiou 25 autores. Gonçalo M. Tavares, já descrito várias vezes como o melhor da sua geração e equiparável a Saramago, recebe, com o galardão, 15 000 euros.