Foi ontem, 21 de Maio, no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém que Diabo na Cruz e Linda Martini encerraram o CCBEAT. Os primeiros trouxeram mais folia, os segundos passaram a energia electrizante dos seus sons alternativos. Uma noite memorável que não deixou ninguém sentadinho no lugar.

O início do concerto, pelas 21.10h, foi marcado pela banda irreverente e tipicamente portuguesa, Diabo na Cruz, que começou a “aquecer” o que estava por vir numa primeira mais calma e repetitiva sonoridade.  A partir da segunda música o público da sala, no geral sentado na respectiva cadeira, começou a levantar-se pois Diabo na Cruz rima com folia, alegria e alguma dança. O público, que era bem diversificado, não se deixou acanhar pela falta de espaço própria da sala: cantou, dançou e pulou muito ao som de Bico De Um Prego, Os Loucos Estão Certos, Dona Ligeirinha (das mais conhecidas e aplaudidas da noite) ou Casamento.

Em Corridinho de Verão pediu-se a ajuda das raparigas que estavam na sala para cantar e, em Bom tempo, foi a vez do público assobiar a pedido da banda, o que aumentou a interacção com toda a sala.

A boa disposição e comentários feitos pelo vocalista Jorge Cruz e a energia contagiante de toda a banda, tornaram muito animado este concerto ao vivo dos Diabo, que terminou com Fecha a Loja. O rock, o folk e a música tipicamente portuguesa estiveram em simbiose, ontem, no CCB.

Passada uma curta pausa em que o público saiu para comentar o espectáculo e recuperar algumas energias, começa a segunda parte do CCBEAT, a cargo da banda de rock alternativo de Queluz, Linda Martini. Se alguém duvidava da capacidade destes quatro para manter o público longe do assento, tirou todas as teimas mal começaram a tocar. Deixaram logo bem claro que gostam mais de concertos em que podem “sentir o nosso suor e vice-versa”, comentário ao qual o público respondeu a rir e a aplaudir. Não foi a falta de proximidade do palco que impediu que as boas energias fluíssem, já que o público começou a aproximar-se do palco, saindo dos seus lugares, para um espaço mais junto à banda. Tudo indícios do que seria o culminar do espectáculo.

Com Nós os Outros acenderam o concerto, tudo o que se seguiu serviu como uma ligação à corrente eléctrica, entre o público e os artistas. Tocaram músicas de ambos os álbuns: as mais antigas Amor Combate, Dá-me a tua melhor faca, ou as mais recentes, Mulher a Dias ou Amigos Mortais, presentes no disco Casa Ocupada, foram bastante aplaudidas e trauteadas pelos fãs. O entusiasmo do público foi notório em músicas como Juventude Sónica em que o verso “Parecemos putos. Não temos aulas amanhã”, tinha tanto de verdadeiro como de contagiante para muitos dos jovens ali presentes. Tantas outras  músicas deixaram o público em êxtase:  Lição de Voo nº1, Ameaça Menor, Elevador, Belarmino, Estuque, Quarto 210, ou Amor é não haver polícia, estas três últimas do primeiro álbum, Olhos de Mongol.

O que decerto espantou mais os fãs neste concerto, tão especial, foi a deixa final de Hélio Morais, que enquanto se preparava para tocar e cantar Cem metros Sereia disse, com a maior naturalidade, “Se quiserem podem vir aqui para o palco”. Foi o ponto alto da noite, grande parte da sala correu para lá, passando pelos seguranças incrédulos, que apenas tornaram relativamente ordeiro o momento mais surpreendente de toda a noite, a última do ciclo de concertos duplos de música urbana, CCBEAT.

(As fotos publicadas neste artigo não são da nossa autoria, por não ser permitido fotografar o espectáculo, créditos para Pedro Vieira do Jornal Hardmusica, ver aqui as fotos no artigo.)