O garage-rock é um estilo musical que surgiu nos Estados Unidos em 1963 e que funcionou como alavanca da sujidade sónica que viria a manchar o rock para sempre. Porquê? Porque só tinham garagens onde ensaiar, o que levou a que as guitarras fizessem mais feedback, que as baterias soassem mais cruas e que as vozes se tenham habituado a embater em paredes constantemente. Como é que isso se relaciona com as grandes bandas de agora que também se enquadram no espectro deste estilo de música? Eventualmente lá chegaremos, mas por agora, vamos ao advento do estilo.

O nome surge da óbvia referência às garagens onde a música era praticada. Situando-se historicamente na época da Invasão Britânica, cerca de 1964, que colocava as bandas rock inglesas a brilharem enormes na América, com o seu misto de blues electrificados e uma enorme vontade de fazer barulho (bandas essas como The Who, The Kinks, Rolling Stones e afins) os miúdos americanos queriam seguir-lhes o caminho.

Tendo esse caminho já aberto por bandas como os The Kingsmen (com músicas que foram reinterpretadas pelos The Doors, por exemplo) e Link Wray (cujo tema Rumble foi responsável por toda uma nova abordagem à guitarra eléctrica) que já começavam a mudar o estilo rock and roll básico que vigorava na América, as bases estavam lançadas logo no início da década de sessenta. Aparecem então em 1964 as primeiras bandas como The Beau Brummels, The Sonics, Birdwatchers e The Haunted a atingirem sucesso commercial e a entrarem com vários temas para o top dez da Billboard, com um estilo garage-rock já definido. Estava a decorrer a partir daí a moda e muitas outras bandas começaram a surgir pelos Estados Unidos e Canadá. Caso óbvio da importância deste renovado rock foi os Beatles terem-se feito acompanhar por uma banda garage-rock, os The Boston Remains, na sua tour de 1966 pela América.

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Porém o declínio não demorou muito a acontecer, mesmo numa altura em que as editoras começavam a apostar no estilo, o retorno financeiro não surgiu e concluiu-se que o grande momento do garage-rock foi mesmo ano de 1966, tanto a nível criativo como financeiro. Porém, a inovação patente no estilo foi suficiente para desencadear novos movimentos e influenciá-los com a sua energia. A cidade de Detroit e o rock que lá se começou a praticar, por volta de 1970, bebeu desse estilo para o tornar ainda mais eléctrico, aparecendo então bandas como os MC5 e os The Stooges (que vão estar presentes na edição deste ano do Optimus Alive) a brilharem no que se tornou o hard-rock.

É no entanto o revivalismo do estilo que o catapulta para o Ipod de qualquer jovem (ou menos jovem) mais incauto, pois após um hiato de três décadas (exceptuando pequenas incursões no estilo nos anos oitenta) o garage-rock revival (ou post-punk revival), traz para a ribalta uma série de bandas, provenientes de diversos locais do mundo que traziam uma visão simplista do rock, baseados nos mesmos princípios que os primeiros advogados do garage-rock defendiam.

Aparecendo mascarados de música alternativa, bandas como The Strokes, que fundiam o citadino de Nova Iorque com as influências desse rock; The White Stripes, que uniam o rasgar da guitarra de Jack White aos velhos blues tipicamente sulistas; assim como muitas outras, como The Libertines, The Hives, The Vines, entre outros, nesta primeira fase. A revista Rolling Stone proclamava então no início deste novo milénio que o rock tinha voltado e o sucesso comercial que estas bandas começaram a ter confirmavam-no. Misturando outros estilos com esta sonoriedade já conhecida o número de bandas que aqui se encaixa aumentou a olhos vistos e levou que acabassem por conseguir contratos com editoras e uma cada vez maior visibilidade, o levou a que o movimento não cessasse de crescer, alargando-se a bandas como Interpol, Black Rebel Motorcycle Club, The Kooks, Jet, deixando em aberto como será a continuação do estilo.

httpv://www.youtube.com/watch?v=DKJ_w0-aZEA

httpv://www.youtube.com/watch?v=abKjC7EX2Zs